Entre escolhas, princípios e aquilo que não muda
Hoje fiquei pensando em como algumas escolhas dizem muito sobre aquilo em que acreditamos.
Nem tudo é “tanto faz”.
Existem valores dos quais não queremos abrir mão. Existem atitudes que pesam mais para nós. Existem escolhas que jamais faríamos.
E está tudo bem reconhecer isso.
Respeitar quem pensa diferente não significa achar que todas as escolhas são iguais ou que certo e errado deixam de existir dentro daquilo que acreditamos.
Ao mesmo tempo, quanto mais observo a política, menos consigo enxergar qualquer ser humano como resposta para tudo.
Porque as pessoas são falhas e corruptíveis.
E o poder muitas vezes tem o poder de mexer com o ser humano.
Dinheiro, influência, vaidade, interesses… tudo isso pode ocupar espaços perigosos.
Por isso não acredito em político perfeito.
Não existe alguém que represente exatamente tudo aquilo que penso, defendo ou gostaria de ver.
Na maioria das vezes, o que fazemos é olhar para as opções que existem e escolher de acordo com os nossos valores. E não é sobre encontrar aquilo que consideramos perfeito.
É sobre olhar para o que está diante de nós e pensar:
entre as opções que existem, qual delas mais se aproxima daquilo em que acredito?
E, muitas vezes, qual delas é a menos ruim diante do que está disponível?
Mas existe alguém em quem eu deposito minha total confiança
E aqui está uma diferença muito importante para mim.
Uma coisa é escolher quem vai governar.
Outra, completamente diferente, é decidir onde colocamos a nossa esperança.
Eu posso votar.
Posso acompanhar política.
Posso concordar, discordar, cobrar, me indignar.
Mas não quero entregar a nenhum político um lugar que não pertence a ele.
Minha confiança não está em um presidente.
Não está em um partido.
Não está em um governo.
Minha confiança está em Deus.
Porque pessoas decepcionam.
Deus não.
O ser humano pode se perder no poder.
Deus é incorruptível.
Governos mudam.
Deus não muda.
E é Ele quem merece a nossa adoração, o nosso tempo, a nossa energia e a nossa esperança.
Isso não significa cruzar os braços e agir como se as nossas escolhas não importassem.
Importam muito.
Só significa colocar cada coisa no seu lugar.
Política merece atenção.
Deus merece o nosso coração.
E acho perigoso quando essa ordem se inverte.
Quando começamos a defender pessoas como se fossem incapazes de errar.
Quando uma eleição rouba nossa paz.
Quando um candidato ocupa tanto espaço que começamos a tratar mal quem amamos.
Nenhum político merece isso de nós.
A eleição passa
Depois de todo o barulho, existe uma coisa muito simples que a gente às vezes esquece:
a eleição termina.
Existe um resultado.
Pode ser aquele que queríamos.
Pode não ser.
Faz parte da democracia também aprender a conviver com o resultado escolhido pelas urnas.
Isso não nos obriga a concordar.
Não nos impede de cobrar.
Muito menos significa ficar calado diante daquilo que consideramos errado.
Mas a vida continua.
E no dia seguinte estamos todos aqui outra vez.
No mesmo trânsito.
No supermercado.
Levando os filhos para a escola.
Trabalhando.
Pagando contas.
Precisando de saúde, segurança, educação.
Preocupados com o futuro dos nossos filhos.
As dificuldades não perguntam em quem votamos antes de chegar.
E, quando chegam, muitas vezes atingem pessoas que estavam em lados completamente diferentes durante uma eleição.
É por isso que me incomoda ver como a política consegue separar tanto as pessoas.
Famílias brigam.
Amizades acabam.
Pessoas que se gostam passam a se tratar como inimigas.
E alguns dias depois continuam enfrentando praticamente as mesmas lutas.
Discordar não precisa virar ódio
Posso olhar para uma escolha e pensar:
“Eu jamais escolheria isso.”
Posso não entender.
Posso achar errado.
Posso ter valores completamente diferentes.
Mas não preciso transformar essa pessoa em alguém que deixou de merecer respeito.
Respeito não é concordância.
E convivência não exige que todo mundo pense igual.
Na verdade, acho que uma das coisas mais difíceis da vida adulta é aprender a sustentar aquilo em que acreditamos sem sentir que precisamos destruir quem pensa diferente.
Existem limites.
Existem princípios.
Existem coisas que não negociamos.
Mas também existe humanidade.
Uma coisa não precisa apagar a outra.
É isso que eu quero que meus filhos aprendam
Quando penso nos meus filhos, não quero ensinar apenas o que eles devem pensar.
Quero ensiná-los a pensar.
Pesquisar.
Questionar.
Conhecer a história.
Olhar para atitudes e não apenas para discursos bonitos.
Entender que seres humanos falham.
Que poder precisa ser acompanhado e cobrado.
Que nenhuma figura pública deve ser colocada em um pedestal.
Um dia eles farão suas próprias escolhas.
Podem até chegar a conclusões diferentes das minhas.
O que eu espero é que saibam por que escolheram.
Que tenham princípios.
Que não sigam alguém apenas porque todo mundo está seguindo.
E, acima de tudo, que aprendam desde cedo que nenhum homem, nenhuma mulher, nenhum governo e nenhuma ideologia merece ocupar o lugar de Deus dentro deles.
Quando tudo isso passar
Daqui a algum tempo haverá outra eleição.
Outros nomes.
Outras promessas.
Outras discussões.
É assim que funciona.
Mas nossa vida continuará acontecendo entre uma eleição e outra.
Os filhos vão crescer.
As contas vão chegar.
Vamos trabalhar, amar, sofrer, comemorar, perder coisas, conquistar outras.
E vamos continuar dividindo o mesmo país com milhões de pessoas que não pensam exatamente como nós.
Por isso quero fazer minhas escolhas de acordo com os meus princípios.
Quero continuar tendo coragem de dizer quando alguma coisa não combina com aquilo em que acredito.
Mas também não quero entregar minha paz à política.
Muito menos minha esperança.
Porque pessoas falham.
Governos passam.
O poder muda de mãos.
Deus continua sendo Deus.
É nEle que quero colocar aquilo que tenho de mais precioso: minha fé, minha esperança e a certeza de que, mesmo quando o mundo parece confuso demais, existe alguém acima de tudo isso que não muda.
E talvez seja essa a lembrança mais importante que eu quero carregar depois de um dia como hoje:
faça suas escolhas com consciência, permaneça firme naquilo em que acredita, respeite que outras pessoas também farão as delas — mas não entregue a nenhum ser humano o lugar que pertence somente a Deus.





