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Felca fala sobre bullying e fobia social: quando a intolerância fala mais alto que a empatia

Capa do artigo sobre o vídeo do Felca sobre bullying: jovem pensativo diante de silhuetas e balões de críticas
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Vamos começar esse artigo concordando com uma coisa?

Todos somos seres humanos, certo?

Então, antes de sermos de direita, de esquerda ou de qualquer outra opinião, pertencemos todos ao mesmo grupo.

Parece óbvio, não parece? Mas, acompanhando algumas discussões na internet, tenho a impressão de que estamos esquecendo disso.

E foi exatamente o que pensei ao ver a repercussão do vídeo recente do Felca.

Fiquei assustada com a facilidade com que um assunto tão delicado acabou se transformando em mais uma disputa política.

Um relato que merecia ser ouvido com mais empatia

No dia 20 de outubro de 2026, Felca publicou um vídeo bastante pessoal, contando sobre o bullying que sofreu desde os 12 anos e as consequências que essas experiências deixaram em sua vida.

Ele falou sobre humilhações, agressões físicas e a fobia social que enfrenta até hoje. Também revelou que chegou a depender do álcool para conseguir participar de eventos, gravações e outras situações que envolviam contato com pessoas.

É muito triste pensar que alguém possa passar por tudo isso desde tão jovem e continuar enfrentando as consequências tantos anos depois.

E imagino que não tenha sido nada fácil expor essas lembranças publicamente.

Recentemente, Felca contou que passou oito meses preparando esse conteúdo e que sentia receio de publicá-lo.

Oito meses trabalhando em um relato tão íntimo, que poderia ajudar outras pessoas a compreenderem melhor suas próprias dificuldades.

Mas sabe o que mais me chocou nessa história?

Ele acabou recebendo ataques e deboches justamente depois de publicar um vídeo sobre as consequências do bullying.

Não é uma contradição enorme?

Desde quando tudo precisa envolver política?

A publicação aconteceu poucos dias antes do segundo turno das eleições presidenciais, e parte do público esperava que Felca fizesse alguma denúncia ou se posicionasse politicamente.

Essa expectativa aumentou depois que ele anunciou seu retorno com uma mensagem misteriosa, dizendo que havia se escondido por tempo demais.

Mas ele nunca prometeu que falaria de política.

E existe um detalhe importante: 20 de outubro é o Dia Mundial de Combate ao Bullying.

Ou seja, a data também tinha tudo a ver com o assunto que ele decidiu abordar.

É claro que as pessoas podem questionar a maneira como um conteúdo foi anunciado. Isso faz parte.

Mas existe uma diferença enorme entre criticar uma estratégia de divulgação e diminuir a importância do sofrimento de alguém porque ele não falou sobre o assunto que você esperava.

É justamente essa reação que me incomoda.

Desde quando uma pessoa precisa declarar sua posição política para compartilhar uma experiência pessoal?

Por que um relato sobre bullying e saúde mental precisa ser associado à direita ou à esquerda?

Estamos falando de situações que podem atingir qualquer família, independentemente de suas escolhas políticas.

O bullying não escolhe posição política. A dor de quem sofre também não.

Não estou dizendo que política não seja importante. Pelo contrário!

Ela faz parte da nossa vida, influencia nossas decisões e o futuro do país.

Sei também que o cenário é complexo e que existem muitas questões envolvidas.

Mas precisamos conseguir discordar sem transformar toda conversa em uma batalha.

Quando a intolerância e o desrespeito passam a dominar as discussões, a opinião política corre o risco de dar lugar ao fanatismo.

E, para mim, nenhuma ideologia deveria estar acima da nossa capacidade de pensar, ouvir e respeitar o outro.

Se quiser continuar essa conversa, vale ler também meu texto sobre empatia em tempos de divisão.

Como mãe, esse assunto me preocupa ainda mais

Tenho dois filhos que estão crescendo e vivendo essa fase tão importante de transição para a adolescência.

E confesso que, quando vejo histórias como a do Felca, é impossível não pensar neles.

A escola deveria ser um ambiente de aprendizado, amizades e descobertas. Mas sabemos que nem sempre é assim.

Às vezes, aquilo que parece uma brincadeira para um grupo pode estar machucando profundamente outra criança.

Um apelido repetido, uma humilhação na frente dos colegas, alguém que é deixado de lado de propósito…

E hoje ainda temos as redes sociais e os grupos de mensagens, onde essas situações podem continuar mesmo depois que as aulas terminam.

Como mãe, naturalmente me preocupo com a possibilidade de meus filhos passarem por algo assim.

Mas também acho importante pensar no outro lado: não quero que meus filhos sejam aqueles que machucam, humilham ou participam de uma situação dessas.

Porque educar também é ensinar a respeitar as diferenças e entender que as nossas palavras e atitudes têm consequências.

E esse cuidado precisa começar dentro de casa.

Precisamos conversar, observar mudanças de comportamento, prestar atenção quando nossos filhos ficam mais quietos ou começam a evitar determinadas situações.

Nem sempre uma criança consegue contar o que está acontecendo. Algumas sentem vergonha, outras têm medo de piorar as coisas.

Por isso, acredito que o relato do Felca também serve como um alerta para todos nós, pais.

Não dá para achar que bullying é apenas uma fase da escola ou uma brincadeira entre crianças.

Quem pratica bullying muitas vezes esquece o que fez, mas quem sofre pode carregar aquelas marcas por toda a vida.

E a história dele mostra o quanto isso pode ser sério.

O que realmente deveria ficar dessa história

Uma das coisas que mais me chamaram a atenção foi saber que Felca pretende realizar palestras gratuitas em escolas para conversar sobre bullying e suas consequências.

Achei uma iniciativa muito importante.

Quantos adolescentes poderiam se identificar com esse relato? Quantos talvez estejam enfrentando situações parecidas sem conseguir pedir ajuda?

E quantos adultos ainda convivem com inseguranças e medos que começaram na infância?

Outro ponto que me tocou foi o retorno que ele recebeu após a publicação.

Apesar das críticas, Felca contou que passou horas lendo mensagens de pessoas que se reconheceram em sua história e que isso trouxe paz ao seu coração.

Fiquei feliz em saber disso.

Porque, no meio de tanta discussão, também houve acolhimento.

E é nisso que eu prefiro prestar atenção.

Se esse conteúdo conseguir ajudar uma criança a pedir ajuda, um adolescente a perceber que não está sozinho ou um adulto a procurar apoio para lidar com feridas antigas, já terá feito uma diferença enorme.

Não precisamos concordar com tudo o que uma pessoa faz para reconhecer quando ela compartilha algo importante.

No fim das contas, estamos todos no mesmo barco

Quero deixar meus parabéns ao Felca pela coragem de compartilhar uma parte tão sensível da sua vida.

Não deve ser fácil revisitar lembranças dolorosas e falar sobre fragilidades diante de tanta gente, ainda mais sabendo como a internet pode ser cruel.

Espero que essa história também nos faça refletir um pouco sobre a maneira como estamos tratando uns aos outros.

A gente não precisa pensar igual, votar no mesmo candidato ou concordar sobre todos os assuntos.

Mas precisa aprender a conviver com as diferenças.

Às vezes, tenho a impressão de que estamos tão preocupados em defender nossas opiniões que esquecemos de prestar atenção no que o outro está dizendo.

E nem tudo precisa virar uma disputa.

Antes de qualquer partido, ideologia ou diferença, existe um ser humano.

Todos temos nossas histórias, dificuldades e sentimentos.

Ninguém é perfeito, e acredito que sempre temos alguma coisa para aprender e melhorar.

Talvez começar a ouvir mais, julgar menos e lembrar que nossas palavras também podem machucar já seja um bom caminho.

Afinal, estamos todos no mesmo barco.

E seria muito melhor se aprendêssemos a remar juntos, mesmo pensando diferente.

Para quem ainda não assistiu, recomendo o vídeo completo do Felca sobre fobia social e bullying. Vale a pena conhecer essa história, independentemente da sua opinião política.

Porque nem tudo precisa ser sobre direita ou esquerda. Às vezes, precisa ser apenas sobre humanidade.


Um recado de acolhimento

Se você se identificou com alguma parte desse relato, saiba que não precisa enfrentar tudo sozinho. Conversar com alguém de confiança e procurar ajuda de um psicólogo ou outro profissional de saúde pode ser um passo importante.

E, se estiver passando por um momento de sofrimento emocional intenso ou precisando de alguém para conversar, o CVV (Centro de Valorização da Vida) oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, 24 horas por dia.

Cuidar de você também importa.

Com carinho, Cantinho de Acolher. 🤎

Jovem estende a mão a uma garota sentada; ao fundo, balões de bullying e preconceito. Antes de qualquer diferença, existe um ser humano.

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Retrato de Bruna Souza

escrito por

Bruna Souza

Sou a Bruna, autora do Cantinho de Acolher. Escrevo sobre filmes, séries, receitas, bem-estar, casa, maternidade, música e reflexões da vida real. Um espaço para acolher, inspirar e compartilhar conteúdos leves, afetivos e cheios de significado, conforto e cuidado para o dia a dia.

Respira. Você não precisa dar conta de tudo hoje.

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