O Plano Imperfeito: comédia romântica da Netflix com Zoey Deutch e Glen Powell
Sabe quando a Netflix, nossa querida dona do tu-dum, entende exatamente o clima em que a gente está?
Depois de assistir Mensagens para Isabelle e me emocionar com a atuação da Zoey Deutch, apareceu para mim a recomendação de O Plano Imperfeito. E como o filme também tinha Glen Powell no elenco, que muita gente lembra de Top Gun: Maverick e de Todos Menos Você, minha curiosidade falou mais alto.
Pelo elenco, pela proposta e por aquele resumo com cara de comédia romântica gostosinha, resolvi assistir.
Mas o que parecia apenas mais um romance leve para passar o tempo acabou trazendo alguns temas bem interessantes no meio da história.
Uma comédia romântica pode parecer simples na superfície, mas guardar pequenas verdades sobre trabalho, escolhas e relacionamentos.
Ficha técnica de O Plano Imperfeito
Título original: Set It Up
Título no Brasil: O Plano Imperfeito
Ano: 2018
Gênero: Comédia romântica
Duração: 1h45
Direção: Claire Scanlon
Roteiro: Katie Silberman
Elenco principal: Zoey Deutch, Glen Powell, Lucy Liu e Taye Diggs
Onde assistir: Netflix
Classificação indicativa: 14 anos
Sobre o que é o filme O Plano Imperfeito?

A história acompanha Harper e Charlie, dois assistentes que vivem completamente exaustos em Manhattan.
Harper trabalha para Kirsten, uma editora de esportes exigente, intensa e difícil de acompanhar. Já Charlie é assistente de Rick, um investidor financeiro autoritário, daqueles que parecem sugar toda a energia de quem está por perto.
Os dois jovens vivem presos a chefes workaholics, sem tempo para descansar, namorar, comer direito ou simplesmente respirar.
Até que, em um daqueles encontros improváveis que só uma boa comédia romântica entrega, Harper e Charlie percebem que talvez exista uma solução para recuperar um pouco de paz:
Fazer seus chefes se apaixonarem.
A ideia é simples, meio absurda e completamente divertida: se os chefes estiverem ocupados vivendo um romance, talvez eles finalmente deixem seus assistentes em paz.
Claro que, como todo bom plano imperfeito, as coisas começam a sair um pouco do controle.
Uma comédia romântica sobre trabalho, pressão e vida pessoal

O mais interessante é que O Plano Imperfeito não fica apenas no romance.
Por trás das situações engraçadas, dos encontros armados e das tentativas desesperadas de fazer tudo dar certo, o filme toca em assuntos muito reais:
pressão no ambiente de trabalho,
ritmo intenso,
falta de tempo para a vida pessoal,
relações tóxicas,
medo de mudar de rumo,
e aquela sensação de estar se anulando por uma oportunidade que parecia perfeita.
E isso é muito atual.
Quantas vezes uma pessoa entra em um trabalho acreditando que está diante da grande chance da vida, mas aos poucos percebe que está abrindo mão de si mesma?
O filme mostra bem essa linha fina entre se dedicar a uma oportunidade e se perder dentro dela.
Crescer profissionalmente é importante, mas não deveria custar a nossa paz por completo.
Quando a pressão passa dos limites

Uma coisa que achei bem interessante é que o filme mostra duas versões da moeda.
De um lado, existe aquela pressão profissional que faz parte de um ambiente competitivo. Nem sempre é confortável, mas pode estar ligada a crescimento, aprendizado e construção de futuro.
Do outro lado, existe uma pressão que ultrapassa todos os limites. Aquela que deixa a pessoa esgotada, sem vida fora do trabalho e sem perspectiva real de que todo aquele sacrifício esteja levando a algum lugar saudável.
E o filme brinca com isso de um jeito leve, mas sem deixar de provocar reflexão.
Porque, no fundo, a pergunta fica:
Vale a pena se anular por um trabalho que não te enxerga como pessoa?
A química de Harper e Charlie funciona muito bem

Harper e Charlie começam unidos por interesse. Eles querem apenas ter uma vida mais leve, dormir um pouco mais, sair sem serem interrompidos e talvez conseguir existir fora do escritório.
Mas, enquanto tentam organizar a vida amorosa dos chefes, acabam passando cada vez mais tempo juntos.
E é justamente aí que o filme ganha charme.
A química entre Zoey Deutch e Glen Powell funciona muito bem. Eles têm uma energia divertida, espontânea, daquelas que fazem a gente torcer sem perceber.
Não é aquele romance forçado que já começa entregando tudo. A relação vai acontecendo no meio das conversas, das trapalhadas, dos planos malucos e das pequenas cumplicidades.
E eu gosto muito quando uma comédia romântica constrói o casal assim, com leveza.
Eles começaram tentando resolver a vida amorosa dos chefes… e acabam se surpreendendo com as consequências.
Lucy Liu em um papel forte e interessante

Outro ponto que chamou minha atenção foi a presença da Lucy Liu como Kirsten.
Gostei bastante da atuação dela. A personagem tem aquela postura forte, exigente e intimidadora, mas também carrega camadas que vão aparecendo aos poucos.
E quem lembra dela em As Panteras talvez tenha aquele momento de reconhecimento imediato: “olha ela aqui!” rsrs.
Ela consegue entregar uma personagem firme, elegante, difícil e, ao mesmo tempo, interessante de acompanhar.
Não é só uma comédia romântica bonitinha
Apesar de ter clima de filme gostoso para assistir no sofá, O Plano Imperfeito não é apenas uma comédia romântica bonitinha.
Ele fala sobre carreira, escolhas, ambição, relacionamentos superficiais e coragem para mudar.
Também mostra como, às vezes, a gente insiste em relações que parecem fazer sentido por fora, mas que não têm profundidade de verdade.
Na vida amorosa, a mensagem que fica é simples, mas importante:
Esteja com alguém que ame você pelo que você é, do seu jeitinho.
Porque manter uma relação só pela aparência, pela conveniência ou por medo de ficar só não faz sentido para uma vida inteira.
E a cena da pizza?

Agora preciso comentar: como o simples pode ser gostoso, né?
A cena deles comendo pizza no quarto, depois de tanto perrengue, é uma das melhores. Parece boba, mas tem aquele charme de momento real, despretensioso, confortável.
Aquela pizza simples, mega barata, sem nenhum glamour, vira um momento de prazer e alegria para os dois.
É o tipo de cena que não precisa de muita coisa para funcionar. Achei um momento singelo, engraçado e significativo ao mesmo tempo.
Assista para entender rsrs.
O Plano Imperfeito vale a pena?
O Plano Imperfeito é uma comédia romântica leve, divertida e muito gostosa de assistir, mas com temas que deixam a história mais interessante do que parece à primeira vista.
Tem romance, tem humor, tem elenco carismático e também tem reflexões sobre trabalho, limites e escolhas pessoais.
É aquele filme com cara de sessão da tarde moderna, perfeito para quem gosta de uma comédia romântica com química entre o casal principal, situações divertidas e uma mensagem escondida no meio da leveza.
Não é um filme que tenta ser grandioso. Ele é simples, divertido e entrega aquele aconchego gostoso de uma boa comédia romântica.
Então, prepare a pipoca, pegue aquele edredom gostoso e se jogue no sofá. O Plano Imperfeito é desse tipo de filme simples, leve e divertido, perfeito para relaxar.





