Relacionamentos

Romantismo saiu de moda? O valor dos pequenos gestos na vida a dois

Casal em momento romântico, com homem abrindo a porta do carro e carregando as compras para a mulher.

Eu sou do time que ainda acha lindo um relacionamento com romantismo.

E não estou falando de jantar à luz de velas toda semana, buquê de cinquenta rosas ou declarações dignas de filme. Embora eu não fosse reclamar de nenhuma dessas coisas rsrs.

Estou falando daquele carinho que aparece no cotidiano.

Abrir a porta do carro. Puxar a cadeira. Chegar com um chocolate que a pessoa gosta sem que exista uma data especial. Mandar uma mensagem para saber se ela chegou bem. Preparar um café. Cobrir quem você ama no meio da noite.

Coisas simples, mas que dizem:

“Eu me importo com você.”

Talvez algumas dessas atitudes tenham ganhado fama de antigas, bregas ou até desnecessárias.

Eu não concordo.

Para mim, o romance nunca esteve apenas nas grandes surpresas. Ele aparece muito mais na maneira como tratamos quem está ao nosso lado nos dias comuns, quando não existe data comemorativa e ninguém está vendo.

Cavalheirismo ainda é romântico, sim

Eu gosto de homem cavalheiro.

Gosto daquele cuidado de abrir a porta, oferecer ajuda, carregar alguma coisa pesada, perceber se a mulher está confortável.

E não porque eu ache que mulher não consegue fazer essas coisas.

Muito pelo contrário.

Aqui em casa, por exemplo, quando voltamos do mercado e tem sacolas pesadas, normalmente quem carrega é o João, meu marido.

E às vezes eu ainda falo:

“Deixa que eu levo.”

Principalmente naquele maravilhoso momento em que eu decido que pegar o carrinho do mercado só para subir as compras vai dar mais trabalho do que simplesmente tentar levar tudo de uma vez. Quem nunca? rsrs

E ele geralmente responde:

“Você é princesa. Princesa não carrega peso.”

Eu acho lindo.

E antes que alguém imagine que eu vivo por aí fugindo de qualquer esforço físico, não é bem assim.

Gente, eu faço muita coisa braçal.

Se precisar carregar peso, eu carrego. Já aconteceu várias vezes e provavelmente ainda vai acontecer outras tantas.

Não é uma questão de “eu não consigo”.

É saber que o homem que está ao meu lado olha para aquela situação e pensa:

“Deixa que eu faço isso por você.”

Uma coisa é ser perfeitamente capaz de fazer algo. Outra é ter alguém que se preocupa em tornar aquilo um pouco mais leve para você.

E eu acho muito bom ter ao nosso lado um homem gentil e protetor, que sabe perfeitamente que a mulher é capaz, mas que ainda assim escolhe fazer a parte dele por cuidado e carinho.

Não porque precisamos ser poupadas de tudo ou porque não sabemos nos virar sozinhas.

É aquele olhar de proteção, de querer ajudar, facilitar e cuidar.

E, para mim, isso não diminui a mulher em nada.

Pelo contrário, faz com que ela se sinta amada, valorizada e especial.

Homem beijando a mão da mulher em um gesto de cavalheirismo e romantismo na vida a dois.

Romance não é conto de fadas

Também não estou falando de viver esperando um príncipe encantado chegar montado em um cavalo branco.

Até porque, pensando bem, onde a gente colocaria o cavalo?

Relacionamento de verdade tem conta para pagar, trabalho, filhos, cansaço, pequenas irritações e a eterna pergunta:

“O que vamos comer hoje?”

Tem dias maravilhosos e outros nem tanto.

Tem diferenças, defeitos e conversas que precisam acontecer.

Um buquê não conserta falta de respeito. Um chocolate não substitui uma conversa importante. E nenhuma demonstração romântica sustenta sozinha uma relação em que não exista parceria.

Mas quando há amor, respeito e vontade de estar junto, a delicadeza deixa o caminho muito mais bonito.

E eu acho uma pena quando, com o passar do tempo, o casal vai abandonando justamente essas pequenas demonstrações porque já está junto há anos, porque a vida ficou corrida ou porque “ele já sabe que eu amo”.

Saber é importante.

Mas demonstrar também é.

Agora, um recado aos homens

Homens, sejam românticos.

Sejam cavalheiros.

Sejam gentis.

E não precisa transformar uma terça-feira qualquer em uma cena de comédia romântica.

Na maioria das vezes é bem mais simples.

Se ela está carregando alguma coisa pesada, ofereça ajuda.

Se tem uma lâmpada queimada e você pode trocar, vá lá e troque.

Não esperem a mulher pegar a escada, procurar a lâmpada nova, descobrir onde está a caixa de ferramentas e resolver tudo enquanto vocês acompanham a operação de camarote.

E se alguém estiver pensando “Tá, mas o que eu faço?”, aqui vão algumas ideias que cabem perfeitamente na vida real:

  • mande uma mensagem no meio do dia só para saber como ela está;
  • abra a porta do carro;
  • carregue as sacolas mais pesadas;
  • prepare um café sem que ela precise pedir;
  • apareça com o chocolate ou alguma coisinha que sabe que ela gosta;
  • perceba quando ela está cansada e tente aliviar alguma coisa;
  • pergunte se ela chegou bem;
  • resolva aquela coisinha da casa que está precisando ser feita antes que ela tenha que pedir três vezes.

Não precisa fazer tudo no mesmo dia e transformar a semana inteira em Dia dos Namorados.

É só não deixar a delicadeza desaparecer da rotina.

E não é porque a mulher não sabe fazer ou porque precisa de alguém resolvendo tudo por ela.

É simplesmente gostoso perceber que o homem que está ao nosso lado quer facilitar alguma coisa para nós.

Para mim, esse é um dos jeitos mais bonitos de demonstrar amor.

E nós também precisamos fazer a nossa parte

Claro que isso não pode existir de um lado só.

Nós, mulheres, também precisamos demonstrar carinho.

Preparar a comida que ele gosta. Fazer uma massagem depois de um dia cansativo. Mandar uma mensagem carinhosa. Fazer uma surpresa. Demonstrar admiração. Prestar atenção nas coisas que são importantes para ele.

Relacionamento é troca.

E uma das coisas mais bonitas é continuar dizendo “eu pensei em você” mesmo depois que a fase inicial passou e a vida entrou no ritmo normal.

Porque ser romântico no começo é fácil.

Tudo é novidade.

Tem expectativa.

Tem aquele friozinho na barriga.

O bonito é continuar escolhendo demonstrar afeto anos depois, mesmo que isso apareça em forma de um café pronto, de uma mensagem no meio da tarde ou de uma sacola pesada que alguém decidiu tirar da sua mão.

Então, romantismo saiu de moda?

Espero sinceramente que não.

Podemos modernizar muita coisa, rever costumes e construir relações cada vez mais baseadas em respeito e parceria sem precisar jogar fora a delicadeza.

Não precisamos viver em um conto de fadas para ter momentos bonitos.

Na verdade, acho que o romance mais verdadeiro aparece justamente nas coisas que ninguém posta.

No “me avisa quando chegar”.

Na coberta colocada no meio da madrugada.

Na mão segurada em um dia difícil.

No último pedaço da sobremesa guardado para o outro, o que, dependendo da sobremesa, já pode ser considerado uma grande prova de amor.

Na sacola pesada que alguém tira da sua mão.

Na sensação de continuar sendo especial para alguém mesmo depois de tantos dias comuns juntos.

Existe algo muito bonito em saber que uma pessoa não cuida de você porque acha que você não consegue. Ela cuida porque ama.

E esse tipo de romantismo, para mim, nunca deveria sair de moda.

Casal caminhando junto, com a mulher usando o casaco do companheiro sobre os ombros, em uma cena de carinho e cuidado.

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Retrato de Bruna Souza

escrito por

Bruna Souza

Sou a Bruna, autora do Cantinho de Acolher. Escrevo sobre filmes, séries, receitas, bem-estar, casa, maternidade, música e reflexões da vida real. Um espaço para acolher, inspirar e compartilhar conteúdos leves, afetivos e cheios de significado, conforto e cuidado para o dia a dia.

Respira. Você não precisa dar conta de tudo hoje.

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