Fé e Reflexões

Tem pessoas que vendem promessas, mas não sustentam atitudes

Arte ilustrativa do artigo “Tem pessoas que vendem promessas, mas não sustentam atitudes”, mostrando uma reunião de negócios em que uma pessoa fala sobre promessas e outra observa com cautela.
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Nem toda pessoa que fala bonito está disposta a construir algo de verdade. Algumas chegam prometendo somar, mas acabam atrasando sonhos, projetos e caminhos.

Tem gente que sabe falar.

Fala de estratégia, de crescimento, de contatos, de oportunidade. Fala com tanta segurança que, por um tempo, a gente acredita que aquela pessoa realmente vai somar.

Mas existe uma grande diferença entre prometer e sustentar uma promessa com atitudes.

E quando a gente está trabalhando muito para fazer um sonho nascer, confiar em quem não caminha com a mesma verdade pode atrasar muito mais do que imagina.

Este relato é sobre o meu marido, o João, e sobre um projeto ao qual ele vem se dedicando há anos: uma ferramenta criada para ajudar lojistas, tanto de loja física quanto de loja virtual.

A ideia nasceu de uma dor real, vivida dentro de uma operação que nos ensinou muito, mas também nos machucou demais. Quem acompanha um pouco da nossa história sabe que passamos por uma experiência muito difícil no mundo dos negócios, que terminou de uma forma bastante dolorosa para nós.

Foi dentro desse contexto que o João começou a desenvolver uma solução para facilitar a vida de quem vende, organiza pedidos, controla produtos e precisa lidar com a rotina pesada do comércio.

E eu vi de perto o quanto ele se dedicou.

Foram noites em claro, horas de estudo, testes, ajustes, gastos com site, sistema, ferramentas e tudo o que fosse necessário para tirar esse projeto do papel.

Então, quando uma pessoa que já conhecíamos do meio comercial enxergou potencial nesse negócio e propôs participar da sociedade, aquilo pareceu, num primeiro momento, uma ajuda.

Não era alguém completamente desconhecido. Era uma pessoa que já fazia parte daquele universo de negócios, alguém que conhecíamos de outras situações e que, por isso, acabou trazendo uma sensação maior de confiança.

A ideia parecia fazer sentido: o João continuaria focado no desenvolvimento da ferramenta, enquanto essa pessoa, que dizia ter experiência comercial, contatos e capacidade de abrir portas, ajudaria na parte comercial e no crescimento do projeto.

A proposta envolvia uma participação importante no negócio, mesmo sem investimento financeiro direto da parte dele.

Quem bancou tudo fomos nós: sistema, site, ferramentas, estrutura, tempo, energia e muitas madrugadas.

Mesmo assim, acreditamos.

Porque, às vezes, quando a gente está muito envolvido em um sonho, quer enxergar o melhor nas pessoas. Quer acreditar que alguém chegou para dividir o peso, somar forças e ajudar aquele projeto a andar.

Mas, com o tempo, fomos percebendo que a promessa era muito maior do que a entrega.

No começo, alguns poucos clientes chegaram por meio desse contato. E foi basicamente isso.

Não houve um movimento real de expansão. Não houve uma busca consistente por novos clientes. Não houve a construção comercial que tinha sido prometida.

Nas reuniões, o discurso era sempre bonito.

Falava-se de estratégia, crescimento, contatos importantes, empresas que poderiam usar a ferramenta e oportunidades que estavam por vir.

Mas, na prática, pouca coisa acontecia.

Tem gente que sabe vender uma ideia, mas não sustenta essa ideia com presença, trabalho e responsabilidade.

Enquanto isso, o João seguia trabalhando.

Ajustava a ferramenta, melhorava funções, corrigia detalhes, atendia pedidos, estudava possibilidades e entregava melhorias. Muitas vezes, fazendo mais do que deveria, porque acreditava que aquilo poderia abrir portas.

Houve até um cliente com potencial que ficou usando a ferramenta gratuitamente por um bom tempo. Esse cliente pedia mudanças, melhorias e novas funções. E o João, acreditando que aquilo poderia virar algo maior, se dedicava para entregar.

Mas retorno financeiro mesmo, nada.

Nenhuma expansão real. Nenhuma entrada consistente de clientes. Nenhuma construção comercial proporcional ao que tinha sido prometido.

E a pergunta começou a aparecer:

Onde estavam aqueles contatos?

Onde estavam as oportunidades?

Onde estava toda aquela capacidade comercial que parecia tão garantida no começo?

Outro ponto que sempre nos incomodou foi o fato de haver tanta reserva em torno daquela participação. Havia um pedido para que aquilo não fosse comentado abertamente com outras pessoas.

Na época, respeitamos. Mas confesso que isso nos deixava desconfortáveis.

Parecia que estávamos fazendo algo errado, quando, na verdade, não estávamos.

Hoje, olhando para trás, percebo que nem toda parceria que começa com grandes promessas se transforma em entrega real. Às vezes, a pessoa fala bonito, cria expectativa, se coloca como peça importante, mas não sustenta aquilo com atitude.

E, com o tempo, foi assim que nos sentimos.

Enquanto o João trabalhava, o tempo passava.

E o projeto, que tinha tanto potencial, ficava preso em uma falsa esperança.

Essa situação nos prejudicou muito, porque uma parceria mal escolhida não custa só dinheiro.

Custa tempo.

Custa energia.

Custa saúde emocional.

E, muitas vezes, atrasa um sonho que poderia estar muito mais adiante.

Quando toda a situação da loja começou a ficar insustentável e tivemos que lidar com o fechamento, o clima também ficou mais pesado com essa sociedade que, na prática, não se sustentou como esperávamos.

O João, que já vinha carregando muita coisa sozinho, começou a cobrar resultados de forma mais firme.

Foi então que a própria pessoa reconheceu que não estava conseguindo se dedicar como precisava. Disse que talvez a gente precisasse de mais do que ele podia entregar e perguntou se o João achava melhor que ele saísse do negócio.

E, sinceramente, era exatamente isso.

A saída acabou sendo necessária.

Na hora, vem uma mistura de frustração, decepção e até aquela sensação amarga de tempo perdido.

Mas Deus sabe o que faz.

Porque depois dessa saída, uma nova porta começou a se abrir.

Um lojista que também trabalha com ferramentas para e-commerce, e que o João já conhecia tanto de grupos de lojistas quanto de serviços prestados para a nossa empresa, enxergou de verdade o potencial do projeto.

Mas enxergou com atitude.

Com troca real.

Com visão.

Com vontade de construir.

E existe uma diferença enorme entre quem apenas fala sobre potencial e quem realmente trabalha para fazer algo acontecer.

Depois dessa nova parceria, a ferramenta começou a evoluir muito. O projeto voltou a andar. As ideias começaram a sair do papel. O João encontrou alguém que não apenas enxergou valor, mas também colocou energia, conhecimento e ação na construção.

Ainda existe um longo caminho pela frente.

Mas agora existe movimento.

Existe clareza.

Existe uma luz.

Existe a sensação de que aquele projeto que nasceu lá atrás, em meio a tanta dor, trabalho e insistência, finalmente está tomando forma de verdade.

E eu preciso dizer: tenho um orgulho enorme do João.

Orgulho da dedicação dele.

Da inteligência.

Da persistência.

Da capacidade de continuar mesmo depois de tanta decepção.

Porque não é fácil seguir construindo quando tanta coisa desmorona ao redor. Não é fácil continuar acreditando quando pessoas prometem, falham, somem ou atrasam o caminho.

Mas ele continuou.

E talvez essa seja uma das maiores lições que estamos levando desse tempo tão difícil:

Nem todo mundo que chega falando bonito merece acesso aos nossos sonhos.

Nem toda promessa é parceria.

Nem todo discurso de capacidade vem acompanhado de caráter, entrega e compromisso.

Mas também é verdade que existem pessoas boas. Pessoas que enxergam valor de verdade. Pessoas que chegam não para se aproveitar de um projeto, mas para construir junto.

Depois de tantas quebras de confiança, prejuízos financeiros e emocionais, ainda estamos nos reerguendo.

Ainda dói.

Ainda cansa.

Ainda existe muita coisa para reorganizar.

Mas uma coisa está mais leve: saber que não precisamos mais caminhar tão perto de pessoas que não refletem os valores que queremos para a nossa vida.

Hoje, mais do que nunca, estamos aprendendo a escolher melhor quem pode sentar à nossa mesa.

Porque trabalhar, a gente sempre trabalhou muito.

Mas agora queremos construir com pessoas que tenham verdade, atitude e propósito.

E se tem algo que essa fase tem nos ensinado é isso:

Às vezes, sair de perto de quem só promete já é o primeiro passo para finalmente ver o sonho andar.

Arte ilustrativa mostrando uma pessoa deixando uma sociedade que não trouxe resultados, enquanto segue com mais leveza e paz para continuar seus projetos.

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Retrato de Bruna Souza

escrito por

Bruna Souza

Sou a Bruna, autora do Cantinho de Acolher. Escrevo sobre filmes, séries, receitas, bem-estar, casa, maternidade, música e reflexões da vida real. Um espaço para acolher, inspirar e compartilhar conteúdos leves, afetivos e cheios de significado, conforto e cuidado para o dia a dia.

Respira. Você não precisa dar conta de tudo hoje.

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