Filmes e Séries

The Good Doctor: a série conforto que me conquistou pelas histórias e pelos personagens

Capa do artigo sobre The Good Doctor no blog Cantinho de Acolher

Maratonei recentemente The Good Doctor e foi tão gostoso assistir que, quando acabou, fiquei com aquela sensação de carência que algumas séries deixam na gente.

Porque é exatamente esse tipo de série: quanto mais episódios e temporadas tem, melhor.

Nesse artigo eu conto tudo o que senti assistindo, falo dos personagens que ficaram no meu coração e, no finalzinho, trouxe algumas curiosidades muito interessantes sobre a série que vão deixar você ainda mais apaixonada por ela.

Mas primeiro… deixa eu te contar como tudo começou.


Existe algo muito confortável em assistir The Good Doctor. Mesmo tratando de temas pesados, delicados e emocionais, ela consegue transmitir uma sensação acolhedora difícil de explicar.

Claro que, assim como outras séries médicas, ela também aborda situações profundas envolvendo saúde, perdas, traumas e cirurgias extremamente intensas. E confesso: é uma série que exige um certo “estômago” em alguns momentos. Tem bastante sangue, cenas de cirurgia e situações médicas bem fortes.

Eu mesma sempre achei que seria sensível demais para séries assim.

Mas lá atrás, quando comecei Grey’s Anatomy, me encantei completamente por esse universo. E que saudade das primeiras temporadas de Grey’s… Na minha opinião, foram realmente especiais. Os personagens eram extremamente marcantes, os casos emocionavam de verdade e existia uma conexão muito humana entre todos eles. Depois quero até fazer um artigo só sobre isso aqui no blog, porque Grey’s Anatomy no começo foi algo inesquecível.

Mas retomando The Good Doctor…


Como tudo começou

Comecei a assistir sem muita expectativa.

Na verdade, eu via propagandas da série há anos, mas nunca tinha sentido vontade real de assistir. Então um dia encontrei a série na Netflix, descobri que se tratava de um médico autista e comecei mais por curiosidade do que por vontade.

E simplesmente não consegui mais parar.


O Dr. Shaun Murphy — a grande alma da série

Com certeza o Dr. Shaun Murphy, interpretado por Freddie Highmore, é o coração da série.

É impressionante como o personagem prende a gente emocionalmente. Parece que conseguimos viver tudo junto com ele. A empatia que Shaun desperta desde os primeiros episódios é quase inexplicável.

Existe uma doçura muito genuína no olhar dele. Uma profundidade impactante. Sabemos que ele é um adulto, mas a forma como observa o mundo muitas vezes lembra a pureza de uma criança inocente.

Uma inocência. Uma fragilidade. Mas ao mesmo tempo uma inteligência absurda.

Uma das coisas mais impressionantes na série é justamente a forma como Shaun consegue desvendar os casos médicos mais complexos. Aquele olhar característico dele já virou praticamente uma marca registrada da série. Quando Shaun começa a conectar informações e enxergar possibilidades que ninguém mais percebeu, parece que entramos dentro da mente dele junto com ele.

A série mostra visualmente aquele verdadeiro “banco de dados” funcionando na cabeça dele, conectando sintomas, órgãos, imagens e diagnósticos em segundos.

E sinceramente? Mesmo sem os efeitos visuais, só a expressão dele já entrega quando está prestes a descobrir algo importante.

E tudo isso faz com que a gente torça por ele o tempo inteiro.

Mesmo nos momentos mais difíceis, nas crises, nos conflitos sociais ou nas situações em que ele perde o controle emocional, o personagem nunca perde sua essência. Pelo contrário — a série consegue fazer com que a gente compreenda Shaun profundamente. Em muitos momentos, a dor dele também vira nossa dor.

E é justamente isso que torna The Good Doctor tão especial: ela não faz a gente apenas assistir um personagem. Ela faz a gente sentir junto com ele.

O mais interessante é que a história do Shaun não tem pressa para ser contada. Primeiro conhecemos ele já atuando no hospital, tentando lidar com toda a pressão da profissão e os desafios sociais. Depois, aos poucos, a série vai trazendo flashbacks da infância dele, abordando temas extremamente profundos, dolorosos e emocionantes.

E isso deixa tudo ainda mais humano.

A relação dele com o irmão, por exemplo, é uma das partes mais sensíveis de toda a trama. Dá para perceber o quanto aquele vínculo marcou a vida inteira dele.


Dr. Shaun Murphy no corredor do hospital em The Good Doctor
Reprodução: The Good Doctor / ABC

Glassman — aquele tipo de presença que a gente nunca esquece

Mas uma das relações mais bonitas da série, sem dúvida, é a do Shaun com o Dr. Glassman.

Existe ali algo que vai muito além de uma amizade entre médico e mentor. É quase uma relação paterna. Os conselhos do Glassman, o jeito como ele acredita no Shaun mesmo quando ninguém mais acredita, a forma como tenta protegê-lo… tudo isso faz a gente sentir que está vendo algo muito maior.

Em muitos momentos parece realmente a relação entre pai e filho.

E acho que isso é uma das coisas que mais emocionam na série. Glassman é aquele personagem que deixa marcas profundas tanto no enredo quanto na vida do Shaun.


Shaun Murphy e Dr. Glassman juntos no hospital em The Good Doctor
Divulgação The Good Doctor / ABC

O crescimento do Shaun ao longo das temporadas

E o mais bonito é acompanhar a evolução do próprio Shaun.

Séries que abordam o autismo costumam ser muito delicadas, e The Good Doctor teve um cuidado especial em não transformar o personagem em alguém “perfeito”. Pelo contrário. A série mostra vulnerabilidades, limitações e dores reais. Mas também mostra crescimento.

Aquela dificuldade enorme que Shaun tinha no início para demonstrar sentimentos vai mudando aos poucos. Ele aprende, do jeito dele, a demonstrar carinho, afeto, amor e conexão.

E isso é muito bonito de acompanhar.


Os personagens que ficam no coração

A relação do Shaun com Lea também é uma das coisas mais encantadoras da série.

A Lea Dilallo cresce muito ao longo das temporadas. No começo, confesso que fiquei meio desconfiada dela. Ela parecia um pouco perdida, impulsiva e confusa em alguns momentos. Mas conforme vamos conhecendo melhor a personagem, começamos a entender suas inseguranças, sua personalidade e o quanto ela realmente ama o Shaun. Acompanhar a evolução dos dois juntos é muito gostoso.

Outra personagem que gosto muito é a Dra. Claire. Ela é extremamente humana e emocional, às vezes até demais — e justamente isso acaba sendo tanto sua maior qualidade quanto seu maior defeito. A Claire sente profundamente tudo ao redor dela.

O Dr. Melendez tem uma construção muito interessante também. No começo fica claro que ele tem muitas dúvidas sobre o Shaun se tornar médico, principalmente cirurgião. Dá para perceber um certo preconceito e resistência. Mas é bonito acompanhar como a convivência vai transformando a visão dele.

E preciso falar do Dr. Marcus Andrews, um dos meus preferidos.

No início ele passa aquela imagem mais rígida, quase de “vilão”. Mas conforme os episódios avançam, percebemos que ele tem um coração extremamente humano e sensível. Inclusive, tem uma cena que achei maravilhosa: um paciente chama ele de Carlton, de Um Maluco no Pedaço, e ele entra totalmente na brincadeira, fazendo até a famosa dancinha. Aquilo foi incrível e muito divertido.

A Dra. Lim também é uma personagem muito forte. Ela tem aquele perfil mais durão, firme e racional, mas ao mesmo tempo demonstra muita humanidade em diversos momentos.

E claro… ainda existem muitos outros personagens impossíveis de não amar: Dr. Park, Dra. Morgan, Jared, Asher e tantos outros. Cada um deles acaba deixando sua marca na série.

Não tem como falar de todos os episódios ou resumir tudo aqui, porque esse artigo ficaria gigantesco (rsrs). Mas depois posso fazer outro texto só com os episódios que mais me emocionaram, porque foram muitos.


Shaun Murphy e Lea Dilallo em um momento especial em The Good Doctor
Divulgação The Good Doctor / ABC

Uma série que vai além da medicina

Pra mim, The Good Doctor virou uma verdadeira série conforto.

Mesmo sendo intensa e cheia de momentos emocionantes, ela transmite acolhimento. É aquele tipo de série que faz a gente rir, chorar, se apegar aos personagens e esquecer um pouco da correria da vida.

Não é só uma série médica.

Ela fala sobre pertencimento, empatia, amadurecimento, diferenças, medo, afeto e humanidade de uma forma muito sensível. E no meio de tantos episódios intensos, cirurgias e momentos de tensão, ela consegue entregar algo raro hoje em dia: conforto. Aquela sensação gostosa de encontrar personagens que parecem quase amigos da gente.

E se você também criou um carinho especial pela série, separei algumas curiosidades muito interessantes que vão deixar tudo ainda mais especial.


Elenco completo da série The Good Doctor
Divulgação The Good Doctor / ABC

Curiosidades sobre The Good Doctor

Muita gente não sabe, mas The Good Doctor é inspirada em uma série sul-coreana lançada em 2013. A versão original fez tanto sucesso que acabou ganhando adaptações em outros países, incluindo a famosa versão americana que conquistou o mundo inteiro.

E quase tudo poderia ter sido diferente…

A série chegou a ser recusada inicialmente por um canal de TV antes da ABC decidir apostar no projeto. Ainda bem que isso aconteceu, porque hoje ela se tornou uma das séries médicas mais amadas dos últimos anos.

Outro detalhe muito interessante: Freddie Highmore quase recusou o papel do Dr. Shaun Murphy. Depois de passar anos protagonizando Bates Motel, ele estava cansado da rotina intensa de uma série principal. Mas acabou aceitando o desafio — e sinceramente? A atuação dele talvez seja uma das coisas mais impressionantes da série inteira. É impossível imaginar outra pessoa no papel.

Existe um cuidado muito grande na forma como Shaun foi construído. O criador da série, David Shore — o mesmo criador de House — estudou bastante sobre o autismo e trabalhou junto de pessoas autistas para trazer uma representação mais humana e respeitosa do personagem. E acho que isso aparece na tela o tempo inteiro. Shaun nunca parece um personagem caricato. Ele parece humano.

Outra curiosidade envolve a Lea Dilallo. A personagem interpretada por Paige Spara inicialmente apareceria em apenas dois episódios. Mas a conexão dela com o Shaun funcionou tão bem que ela acabou se tornando uma das personagens principais da série. E sinceramente? Ainda bem. Porque acompanhar a evolução dos dois ao longo das temporadas é uma das partes mais gostosas de tudo.

Também gosto muito de saber dessas coincidências dos bastidores: Richard Schiff e Sheila Kelley, que interpretam um casal na série, são casados na vida real desde 1996. E Nicholas Gonzalez, o Dr. Melendez, vem de uma família de médicos na vida real — o pai e o irmão são cirurgiões, e o irmão inclusive ajudava com orientações para algumas cenas da série.

Pequenos detalhes assim fazem a gente gostar ainda mais do universo que a série criou.


E aquela cena impossível de esquecer…

No fim, The Good Doctor virou uma daquelas produções que deixam saudade quando terminam. Daquelas que fazem a gente sentir falta dos personagens como se fossem pessoas reais.

Segue abaixo um dos momentos mais emocinantes da série (contém spoiler. Mas um spoiler bem fofo rsrs)

E sinceramente?

Poucas séries conseguem causar isso hoje em dia. 🤍

Shaun e Lea com o bebê Steve em The Good Doctor

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Respira. Você não precisa dar conta de tudo hoje.

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