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A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas: uma família meio maluca, muita tecnologia e uma boa reflexão

Ilustração inspirada em A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas, com a família em uma viagem de carro cercada por robôs e tecnologia.
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A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas parecia uma ótima escolha para assistir com as crianças: uma animação colorida, engraçada, cheia de confusão, robôs, tecnologia e um cachorro muito esquisito no meio de tudo isso.

E foi mesmo. O Davi que escolheu e acertou em cheio.

E, além de muito divertida, a história é bem atual.

Porque, entre uma perseguição de robôs e outra, o filme fala de uma coisa que faz parte da rotina de praticamente toda família hoje: nossa relação com a tecnologia, e o espaço que ela ocupa dentro de casa.

E ainda consegue falar de pais, filhos, diferenças, crescimento e daquelas pessoas que às vezes nos deixam malucos, mas que continuam sendo as nossas pessoas.

Conhecendo os Mitchell

Crédito: Sony Pictures Animation / Netflix

Katie Mitchell é uma adolescente criativa, apaixonada por fazer filmes e que está prestes a sair de casa para estudar cinema.

Ela está contando os dias para começar essa nova fase.

O pai, Rick, não entende muito bem aquele mundo de vídeos, telas e tecnologia da filha. Ele é completamente diferente dela: gosta de natureza, ferramentas, vida ao ar livre e parece ter nascido com certa implicância por qualquer coisa que precise de Wi-Fi.

E é aí que os dois começam a bater de frente.

Rick percebe que está perdendo a conexão com a filha e tem uma ideia que, na cabeça dele, é maravilhosa: transformar a ida de Katie para a faculdade em uma grande viagem de carro em família.

Sim. Uma adolescente louca para chegar à faculdade viajando de carro com pai, mãe, irmão mais novo e cachorro.

O que poderia dar errado? Tudo.

Principalmente porque, no meio da viagem, a tecnologia resolve literalmente se revoltar contra a humanidade.

Quando a tecnologia deixa de ajudar e começa a mandar

Crédito: Sony Pictures Animation / Netflix

O responsável por boa parte dessa confusão é Mark Bowman, criador da PAL, uma assistente virtual presente nos celulares e em praticamente tudo ao redor.

Mark apresenta uma nova geração de robôs e decide simplesmente deixar a antiga PAL para trás.

Ela não recebe muito bem a notícia.

E daí para um apocalipse tecnológico é um pulo.

É exagerado, claro. É uma animação sobre robôs capturando seres humanos.

Mas a brincadeira funciona porque parte de uma coisa muito real.

Hoje a tecnologia está em todo lugar.

Ela ajuda a trabalhar, estudar, pesquisar, conversar com quem está longe, criar, descobrir coisas novas, registrar momentos e facilitar um monte de tarefas que fazem parte do nosso dia.

Eu mesma estou aqui escrevendo um texto que provavelmente você encontrou através de uma tela.

O problema começa quando a ferramenta vai ocupando um espaço grande demais.

Quando todo mundo está na mesma sala, mas ninguém está realmente junto.

Quando pegamos o celular sem nem perceber.

Quando uma notificação interrompe uma conversa.

Ou quando parece estranho simplesmente ficar alguns minutos sem olhar para uma tela.

O filme brinca com tudo isso de uma maneira tão exagerada que fica engraçado.

Mas a mensagem é clara: a tecnologia pode aproximar muito, mas também pode afastar, se a gente deixar.

Só que os robôs nem são o maior problema dessa família

Crédito: Sony Pictures Animation / Netflix

Essa foi uma das partes que mais gostei.

Porque a verdadeira confusão dos Mitchell já existia muito antes dos robôs aparecerem.

Katie quer que o pai enxergue quem ela está se tornando.

Rick ama a filha, mas tem dificuldade para entender aquele mundo que parece tão distante do dele.

E quanto mais ele tenta protegê-la, mais ela sente que ele não acredita nela.

É aquele tipo de relação em que os dois se amam muito e, ainda assim, conseguem conversar sem realmente ouvir um ao outro.

Quem tem filhos crescendo sabe que existe um momento meio estranho nessa história toda.

A criança vai deixando de ser tão criança.

Começa a ter opiniões próprias, gostos que não são os nossos, sonhos que talvez nunca tivessem passado pela nossa cabeça.

E nós, pais, precisamos aprender uma coisa nada simples:

continuamos cuidando, mas já não podemos escolher todos os caminhos.

Rick precisa aprender a enxergar Katie como ela é.

Katie também precisa olhar para o pai além das implicâncias, das broncas e daquele jeito meio atrapalhado dele.

E é aí que o filme fica muito mais encantador do que eu esperava.

Uma família completamente imperfeita

Crédito: Sony Pictures Animation / Netflix

Outra coisa que gostei nos Mitchell é que eles não tentam parecer uma família perfeita.

Ainda bem.

Eles discutem, passam vergonha, falam na hora errada, não conseguem tirar uma foto bonita, têm dificuldade para conversar e se irritam uns com os outros.

E possuem um cachorro que ninguém consegue descobrir direito se é um cachorro, um porco ou um pão de forma com olhos.

O Monchi merece um artigo só para ele de tão fofo rsrs

Crédito: Sony Pictures Animation / Netflix

E, mesmo com toda essa bagunça, quando as coisas apertam, eles descobrem o tamanho da força que existe naquela família maluca.

Não porque passam a concordar em tudo. Mas porque começam a se enxergar melhor.

E a mãe Mitchell merece um destaque

A Linda merece esse destaque. Ela passa boa parte do filme tentando manter a família unida no meio daquela confusão toda, sempre com aquele jeitinho de mãe que tenta apaziguar tudo.

Mas mexeu com os filhos dela?

A mulher simplesmente vira uma ninja.

É uma das partes mais engraçadas do filme. Porque ela continua sendo aquela mãe fofa de sempre… só que agora pronta para acabar com qualquer robô que apareça pela frente.

Mãe é mãe, até no meio de um apocalipse tecnológico.

Algumas curiosidades sobre o filme que eu adorei descobrir

Crédito: Sony Pictures Animation / Netflix

Uma das coisas mais legais é que a família Mitchell nasceu da própria família do diretor Mike Rianda.

Ele já contou em entrevistas que Katie tem bastante dele quando adolescente e que seu próprio pai serviu de inspiração para Rick, inclusive naquele jeito apaixonado por natureza e bem pouco interessado em tecnologia.

O visual do filme também foi pensado para parecer mais humano e imperfeito. Os desenhos, rabiscos e interferências que aparecem na tela fazem parte dessa ideia. Enquanto o mundo dos Mitchell é cheio de textura, bagunça e imperfeições, o universo das máquinas é muito mais organizado, simétrico e tecnológico.

E tem o Monchi.

O cachorro dos Mitchell foi inspirado em Monchichi, o pug da irmã de Mike Rianda. Para completar, vários dos sons do personagem foram feitos por Doug the Pug, um pug que ficou famoso na internet.

Já Mark Bowman lembra imediatamente aqueles grandes nomes do Vale do Silício. Muita gente faz comparações com empresários como Mark Zuckerberg, Steve Jobs e Elon Musk, mas não encontrei uma confirmação dos criadores dizendo que ele represente uma pessoa específica. A equipe contou, porém, que o visual do personagem ganhou características de Eric André, ator que faz sua voz no original.

No fim, não é uma história sobre odiar tecnologia

Crédito: Sony Pictures Animation / Netflix

E acho importante ressaltar isso.

Não acabamos o filme pensando que precisamos fugir das telas, desligar o Wi-Fi e voltar para uma cabana no meio do mato.

O próprio filme não sustenta essa ideia.

Katie usa a tecnologia para criar seus filmes, mostrar sua personalidade e encontrar pessoas que gostam das mesmas coisas que ela.

A tecnologia também pode ser ponte.

A questão é lembrar quem está segurando quem.

Somos nós que usamos a tecnologia?

Ou ela já começou a decidir como usamos nosso tempo?

Para uma animação cheia de robôs, explosões, memes, celulares revoltados e um pug de aparência duvidosa, até que A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas deixa bastante coisa para conversar depois que os créditos sobem.

Aqui em casa, entrou naquela categoria de filme que diverte as crianças sem tratar os adultos como meros acompanhantes.

E ainda deixa uma mensagem importante no caminho:

as pessoas que amamos não precisam pensar como a gente, gostar das mesmas coisas ou seguir os caminhos que imaginamos para elas.

Às vezes, o que elas mais precisam é se sentir apoiadas, e saber que continuamos ali.

Mesmo quando o Wi-Fi cai.

E principalmente quando a vida sai completamente do roteiro.

Ficha técnica

Crédito: Sony Pictures Animation / Netflix

Título: A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas
Título original: The Mitchells vs. the Machines
Ano: 2021
Gênero: animação, comédia, aventura e ficção científica
Direção: Mike Rianda
Codireção: Jeff Rowe
Roteiro: Mike Rianda e Jeff Rowe
Produção: Sony Pictures Animation
Duração: aproximadamente 1h50

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Retrato de Bruna Souza

escrito por

Bruna Souza

Sou a Bruna, autora do Cantinho de Acolher. Escrevo sobre filmes, séries, receitas, bem-estar, casa, maternidade, música e reflexões da vida real. Um espaço para acolher, inspirar e compartilhar conteúdos leves, afetivos e cheios de significado, conforto e cuidado para o dia a dia.

Respira. Você não precisa dar conta de tudo hoje.

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