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A Odisseia: o filme merece um lugar na prateleira dos grandes épicos?

Capa do artigo sobre A Odisseia, filme de Christopher Nolan, com Odisseu vestido de guerreiro, Atena, mar revolto e navio ao fundo

Pouco antes de assistir ao filme A Odisseia, escrevi aqui no blog um artigo explicando, de forma simples, do que se trata A Odisseia, quem era Odisseu e quais são os principais acontecimentos dessa famosa história da mitologia grega.

A ideia era ajudar quem, assim como eu, não conhecia todos os detalhes da obra de Homero, mas queria chegar ao cinema um pouco mais familiarizado com os personagens, os deuses e os perigos daquela jornada.

E posso dizer que acertei em cheio ao fazer isso.

Conhecer a base da história não tirou nenhuma surpresa do filme. Pelo contrário: fez com que muitas cenas tivessem mais profundidade.

Eu entendia melhor a fúria de Poseidon, a presença de Atena, as escolhas de Odisseu e tudo o que estava em jogo naquela tentativa quase impossível de voltar para casa.

Não é obrigatório conhecer a mitologia grega antes de assistir ao filme. Mas saber um pouco sobre a história faz a experiência ficar ainda mais interessante.

Montagem com o elenco e os principais personagens do filme A Odisseia, de Christopher Nolan

Um filme que pede uma tela bem grande

Desde que começaram as divulgações de A Odisseia, de Christopher Nolan, eu já imaginava que seria um daqueles filmes feitos para assistir no cinema.

Tela enorme, som potente e aquele tipo de imagem que ocupa todo o nosso campo de visão.

Minha primeira intenção era assistir na sala IMAX do Shopping JK Iguatemi. O problema é que eu simplesmente não encontrava lugares disponíveis.

E não estou falando apenas das sessões de sexta ou sábado à noite.

Cheguei a procurar uma sessão de segunda-feira, às 10h30 da manhã, e estava praticamente tudo lotado.

Fiquei olhando para a tela e pensando:

“Gente, mas em plena segunda de manhã?” rsrs.

Toda a divulgação sobre o filme ter sido gravado com tecnologia IMAX despertou uma curiosidade enorme no público. Todo mundo queria aproveitar a produção na maior tela possível.

Como não consegui os lugares que queria, fui para um cinema que amo e frequento bastante: o Cinesystem do Morumbi Town.

Assistimos na sala Cinépic, que também possui uma tela enorme e um som excelente.

Foi uma experiência maravilhosa.

Mas continuo de olho nas sessões do JK, porque este é um daqueles filmes que realmente merecem uma segunda visita ao cinema.

Afinal, o filme é tudo isso que estão falando?

Odisseu ao lado de outros guerreiros gregos em cena do filme A Odisseia, de Christopher Nolan

A Odisseia tem quase três horas de duração, mas não achei o filme cansativo.

A história me prendeu do começo ao fim.

Há muitos personagens, lugares e acontecimentos, mas o filme não parece apenas uma sequência de monstros, batalhas e efeitos especiais. Existe uma história humana sustentando toda aquela grandiosidade.

No centro de tudo está um homem que passou anos na guerra e só deseja voltar para casa.

Parece simples quando resumimos dessa maneira.

Só que, no caminho, Odisseu precisa enfrentar deuses furiosos, criaturas assustadoras, feiticeiras, gigantes, tempestades e também as consequências das próprias escolhas.

Porque nem todos os problemas aparecem por acaso.

Alguns são criados pelo próprio Odisseu.

E isso torna o personagem muito mais interessante.

Matt Damon faz a gente enxergar Odisseu, não o ator

Odisseu usando armadura e capacete em cena do filme A Odisseia, de Christopher Nolan

Matt Damon como Odisseu está impressionante.

Logo nos primeiros momentos, deixei de enxergar apenas o ator conhecido de tantos outros filmes. Ele realmente se transforma naquele homem cansado, ferido e marcado por anos de guerra.

Gostei principalmente da maneira como Odisseu foi retratado.

Ele é extremamente inteligente, observador e estratégico. Quando todos estão desesperados, costuma ser ele quem encontra uma possível saída.

Mas também é orgulhoso, impulsivo e teimoso.

Em várias situações, pensei:

“Odisseu, vai embora. Não inventa mais nada.”

E ele inventava.

Algumas das maiores dificuldades da jornada surgem justamente porque ele não consegue controlar o próprio orgulho.

Ele vence o perigo, mas sente necessidade de anunciar quem foi o responsável. Ele consegue escapar, mas toma uma última decisão impulsiva e muda completamente o rumo da viagem.

Odisseu não é apresentado como um herói perfeito.

Ele é brilhante, mas erra. É corajoso, mas sente medo.

Quer proteger seus homens, mas toma decisões que também os colocam em risco.

Essa mistura faz com que a gente torça por ele e, ao mesmo tempo, fique com vontade de entrar na tela para impedir algumas de suas escolhas.

A Guerra de Troia não ficou para trás

Para quem conhece um pouco mais da história do famoso Cavalo de Troia, foi Odisseu quem teve a ideia de esconder os soldados gregos dentro daquela enorme estrutura oferecida aos troianos.

Daí vem a famosa expressão “presente de grego”, não é? rsrs.

O plano funcionou.

Os soldados conseguiram entrar em Troia e vencer a guerra.

Mas o filme não trata essa vitória apenas como uma grande conquista.

Percebemos que Odisseu carrega o peso do que aconteceu.

A ideia criada por ele levou à queda de uma cidade inteira. Mesmo que esse fosse o objetivo da guerra para a qual havia sido convocado, existe uma culpa que o acompanha.

Ele volta do conflito, mas o conflito não sai completamente de dentro dele.

A viagem de Odisseu não acontece somente pelo mar. Ela também acontece dentro de um homem que tenta voltar para casa depois de tudo o que viu e fez.

E estamos falando de uma ausência gigantesca.

Odisseu passa cerca de vinte anos longe de Ítaca: dez anos lutando na Guerra de Troia e outros dez tentando encontrar o caminho de volta.

Quando partiu, seu filho era apenas um bebê.

Quando finalmente retorna, encontra um jovem praticamente adulto, uma esposa cercada por pretendentes e uma casa que aprendeu a sobreviver sem sua presença.

Penélope também está vivendo uma guerra

Penélope em cena do filme A Odisseia, de Christopher Nolan, segurando um arco

Enquanto Odisseu enfrenta monstros e tempestades, Penélope trava sua própria batalha dentro do palácio.

Anne Hathaway está maravilhosa no papel.

Penélope não fica apenas esperando o marido voltar enquanto observa os dias passarem.

Ela precisa proteger o filho, administrar o reino e lidar com homens que invadiram sua casa e já se comportam como se Odisseu estivesse morto.

Os pretendentes consomem seus alimentos, ocupam os espaços do palácio e pressionam Penélope a escolher um novo marido.

Quem for escolhido também assumirá o lugar de rei.

Penélope encontra maneiras inteligentes de adiar essa decisão, ganhar tempo e manter algum controle sobre a situação.

Anne Hathaway transmite muito sem precisar exagerar.

Em alguns momentos, vemos cansaço. Em outros, medo, saudade e raiva.

Mas também existe uma força muito grande naquela mulher que está fazendo o possível para manter sua família e seu reino de pé.

Odisseu é conhecido por sua inteligência.

Mas Penélope também precisa ser extremamente estratégica para sobreviver.

Telêmaco cresceu ouvindo histórias sobre o pai

Penélope e Telêmaco em cena do filme A Odisseia, de Christopher Nolan

Tom Holland interpreta Telêmaco, o filho de Odisseu e Penélope.

Ele está naquela fase em que todos esperam que deixe de ser um menino e se comporte como um homem, mas ninguém parece disposto a respeitá-lo como tal.

Telêmaco cresceu ouvindo histórias sobre o pai.

Odisseu é tratado como guerreiro, rei, herói e lenda.

Mas, para o filho, também é um homem que nunca esteve presente.

Gostei de como o filme trabalhou essa mistura de admiração e ausência.

Telêmaco deseja honrar o pai, mas também precisa lidar com todas as consequências provocadas pelos anos em que ele esteve longe.

Sua casa está tomada por homens arrogantes. Sua mãe vive pressionada. Seu lugar como herdeiro é constantemente desrespeitado.

Ele precisa amadurecer no pior cenário possível.

E, quando Odisseu finalmente volta, não basta os dois se reconhecerem como pai e filho.

Existe uma relação inteira que ainda precisa ser construída.

Robert Pattinson conseguiu me fazer esquecer o Edward

Robert Pattinson como Antínoo, usando traje escuro em cena do filme A Odisseia

Agora precisamos falar de Robert Pattinson como Antínoo.

Gente, cadê o Edward Cullen?

Eu acompanhei toda a saga Crepúsculo vendo Robert Pattinson como o vampiro misterioso, romântico e protetor.

Em A Odisseia, ele aparece completamente diferente.

Antínoo é um dos principais pretendentes de Penélope e também um dos homens mais insuportáveis instalados no palácio.

Ele é arrogante, invasivo e age como se a casa, o reino e a própria Penélope já fossem seus.

Robert Pattinson consegue fazer com que a gente sinta raiva do personagem.

Em alguns momentos, dá vontade de entrar na tela e expulsá-lo do palácio pessoalmente.

E acredito que isso diz muito sobre a atuação.

Ele não tenta deixar Antínoo charmoso ou simpático. Assume completamente o lado desagradável do personagem.

Quem ainda associa Robert Pattinson apenas ao Edward encontra aqui mais uma prova de como ele se tornou um ator muito mais versátil.

Polêmicas à parte, ele tem muito talento.

Precisamos admitir.

Zendaya aparece menos, mas sua presença é forte

Odisseu ao lado de Atena em cena do filme A Odisseia, de Christopher Nolan

Zendaya interpreta Atena, a deusa da sabedoria e uma espécie de guardiã de Odisseu durante sua tentativa de voltar para casa.

Ela não possui tanto tempo de tela quanto eu imaginava.

Mesmo assim, suas aparições são fortes e muito marcantes.

Atena observa, orienta e interfere em momentos importantes. Ela não resolve todos os problemas de Odisseu, mas sua presença mostra que ele não está completamente abandonado.

Zendaya surge com uma postura firme e quase solene.

Sempre que Atena aparece, a atmosfera muda.

É uma personagem que não precisa ficar o tempo inteiro na tela para que a gente perceba sua importância na jornada.

Um rosto conhecido de The Good Doctor

Também reconheci Will Yun Lee, que interpretou o Dr. Alex Park em The Good Doctor.

Foi aquele momento em que olhei para a tela e pensei:

“Eu conheço esse homem de algum lugar.”

Quem acompanhou a série provavelmente também reconhecerá o ator entre os companheiros de Odisseu.

Não é o papel de maior destaque do filme, mas foi divertido encontrar um rosto conhecido no meio daquela viagem pela mitologia grega.

A cena do Ciclope é praticamente um filme de terror

Entre todos os perigos enfrentados por Odisseu, a sequência do Ciclope Polifemo foi uma das que mais me deixou tensa.

É agoniante.

O ambiente fechado, o tamanho da criatura, o som e a sensação de que ninguém conseguirá escapar transformam a cena em um pequeno filme de terror dentro do épico.

Mesmo conhecendo essa parte da história, fiquei completamente presa ao que estava acontecendo.

E essa sequência representa muito bem quem é Odisseu.

Ele cria uma estratégia brilhante para tirar seus homens de uma situação praticamente impossível.

Mas, depois de escapar, quase coloca tudo a perder por causa do orgulho.

Foi uma daquelas cenas em que eu queria comemorar e brigar com ele ao mesmo tempo.

Circe e uma das cenas mais perturbadoras

O lugar onde Circe vive é lindo, mas a transformação dos homens em animais foi uma das cenas que mais me deu aflição.

Eles já estavam comendo de uma forma tão descontrolada que pareciam porcos antes mesmo da transformação. Quando Circe finalmente os transforma, o resultado é tão feio e realista que chegou a me dar enjoo.

Ela não escolheu animais por acaso. Apenas revelou aquilo que eles já estavam mostrando no comportamento.

Foi uma cena desconfortável, mas muito bem feita e difícil de esquecer.

Argos, o Cachorro de Odisseu, acabou comigo

Agora chegamos ao meu ponto fraco: os animais.

Quem acompanha o Cantinho de Acolher já sabe que eu não consigo ficar tranquila quando um animal aparece correndo perigo em um filme.

Eu fico tensa, desvio o olhar e começo a perguntar ao João se alguma coisa ruim vai acontecer.

Às vezes começo a sofrer antes mesmo da cena rsrs.

O cachorro de Odisseu se chama Argos.

Ele esperou tantos anos pelo retorno de seu dono que, quando Odisseu finalmente chega a Ítaca, Argos já está velhinho, fraco e quase sem forças.

Mesmo assim, ele reconhece Odisseu.

Depois de todos aqueles anos, consegue vê-lo mais uma vez e abanar o rabinho para o homem que esperou durante a vida inteira.

Gente, eu desmoronei. Chorei igual criança.

O João olhou para mim e começou a achar graça porque já me conhece. No meio de guerras, monstros, tempestades e deuses furiosos, ele sabia que seria justamente o cachorrinho que acabaria comigo.

E acabou mesmo.

Argos esperou Odisseu durante toda a vida. Só depois de reconhecer seu dono e vê-lo voltar para casa conseguiu descansar.

Foi uma cena curta, mas uma das que mais mexeram comigo em todo o filme.

Uma produção realmente grandiosa

Vista aérea de uma locação costeira usada na grandiosa produção do filme A Odisseia, de Christopher Nolan

A parte técnica de A Odisseia é impressionante.

A fotografia, os cenários, os figurinos, os efeitos especiais, a música e o som fazem a gente sentir o peso daquela jornada.

E o mar merece um destaque especial.

Muitas das cenas foram gravadas em alto-mar, com embarcações reais, e não simplesmente diante de um fundo verde.

Os navios ficam pequenos diante das ondas, enquanto o vento, a água e o cansaço dos homens parecem atravessar a tela.

A gente não apenas vê o perigo do mar. Em alguns momentos, quase sente que está dentro daquele barco com eles.

A trilha sonora também cresce na hora certa, mas sem ocupar tudo. Em várias cenas, o barulho das ondas, do vento e da respiração dos personagens já é suficiente para criar tensão.

Christopher Nolan realmente não brinca em serviço.

Pelo tamanho da produção e pela força do filme como um todo, é de se esperar que A Odisseia chegue com força à temporada de premiações.

Fotografia, som, efeitos especiais, figurino, direção de arte e trilha sonora são apenas algumas das categorias em que o filme pode ganhar bastante destaque, além, claro, de uma possível indicação a Melhor Filme.

E, se as indicações vierem, serão muito merecidas.

A Odisseia já pode ser chamada de épico?

Para mim, pode.

A Odisseia é um épico em tudo o que esperamos de uma grande produção: efeitos especiais impressionantes, batalhas, monstros, navios enfrentando o mar e cenas que realmente pedem uma tela de cinema.

Mas o filme não se sustenta apenas nisso.

Por trás de toda essa grandiosidade, existe uma história forte sobre culpa, ausência, amor e família.

Odisseu enfrenta criaturas e deuses, mas também precisa lidar com as consequências das próprias escolhas. Penélope tenta manter a família e o reino de pé. Telêmaco cresce sem conhecer o pai que todos tratam como uma lenda.

O filme impressiona pelo tamanho da produção, mas permanece com a gente pela parte humana da história.

Foi justamente esse equilíbrio que mais gostei: A Odisseia consegue ser visualmente grandiosa sem deixar a narrativa vazia.

O João saiu do cinema com a mesma impressão que eu.

É um filmão.

Daqueles que terminam e fazem a gente sentir que acabou de assistir a um verdadeiro acontecimento cinematográfico.

Por isso, respondendo à pergunta do título: sim, A Odisseia já merece um lugar na prateleira dos grandes épicos.

Vou continuar procurando bons lugares na sala IMAX, porque, depois de acompanhar Odisseu por tantos mares, tempestades e monstros, acho que essa história merece mais uma ida ao cinema.

E você, já assistiu a A Odisseia? Também considera o filme um grande épico ou alguma parte dessa jornada não funcionou para você?

Ficha técnica de A Odisseia

Elenco do filme A Odisseia reunido durante a produção dirigida por Christopher Nolan

Título: A Odisseia
Título original: The Odyssey
Ano: 2026
Gênero: aventura, ação, drama e fantasia épica
Direção: Christopher Nolan
Roteiro: Christopher Nolan
Baseado em: Odisseia, poema épico atribuído a Homero
Produção: Christopher Nolan e Emma Thomas
Fotografia: Hoyte van Hoytema
Montagem: Jennifer Lame
Trilha sonora: Ludwig Göransson
Duração: aproximadamente 2 horas e 53 minutos
Distribuição: Universal Pictures
Formato: produção filmada com câmeras de película IMAX
Onde assistir: nos cinemas

Elenco principal

  • Matt Damon como Odisseu
  • Anne Hathaway como Penélope
  • Tom Holland como Telêmaco
  • Robert Pattinson como Antínoo
  • Zendaya como Atena
  • Samantha Morton como Circe
  • Charlize Theron como Calipso
  • Elliot Page como Sínon
  • Will Yun Lee
  • Lupita Nyong’o
  • Jon Bernthal
  • John Leguizamo
  • Himesh Patel

Filme A Odisseia, de Christopher Nolan, exibido em uma tela gigante de cinema IMAX

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Retrato de Bruna Souza

escrito por

Bruna Souza

Sou a Bruna, autora do Cantinho de Acolher. Escrevo sobre filmes, séries, receitas, bem-estar, casa, maternidade, música e reflexões da vida real. Um espaço para acolher, inspirar e compartilhar conteúdos leves, afetivos e cheios de significado, conforto e cuidado para o dia a dia.

Respira. Você não precisa dar conta de tudo hoje.

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