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A Odisseia: curiosidades e bastidores do épico de Christopher Nolan

Montagem dos bastidores de A Odisseia com câmeras IMAX, gigantes, atores caracterizados e o diretor durante as filmagens

Saí do cinema achando que A Odisseia já tinha me impressionado o suficiente.

Então comecei a ler sobre os bastidores.

Depois de publicar minha opinião sobre o filme A Odisseia, descobri que o Cavalo de Troia havia sido realmente construído, que Matt Damon contou com uma dublê mulher para enfrentar os gigantes e que a transformação feita por Circe aconteceu diante da câmera.

Também descobri que boa parte das cenas no mar foi gravada em embarcações reais, com os atores enfrentando vento, frio e ondas de verdade.

Quando percebi, já havia curiosidades suficientes para outro artigo.

E, sinceramente, minha resenha já estava longa o bastante para atravessar o Mediterrâneo rsrs.

Por isso, reuni aqui algumas das curiosidades e dos bastidores de A Odisseia que mais me impressionaram e ajudam a entender por que a produção de Christopher Nolan parece tão grandiosa na tela.

Entre as curiosidades deste artigo: tecnologia IMAX, filmagens em seis países, cenas no mar de verdade, o Cavalo de Troia construído em tamanho real, gigantes interpretados por pessoas e os efeitos práticos da transformação de Circe.

O primeiro filme gravado inteiramente com câmeras IMAX

Diretor usando uma câmera IMAX nos bastidores das filmagens de A Odisseia

A divulgação de A Odisseia falou tanto sobre a tecnologia IMAX que muita gente correu para tentar assistir ao filme na maior tela possível.

Eu mesma procurei ingressos para a sala IMAX do Shopping JK Iguatemi e encontrei até sessão de segunda-feira de manhã praticamente lotada.

Depois de conhecer os bastidores, entendi melhor toda essa procura.

A Odisseia foi o primeiro longa-metragem filmado inteiramente com câmeras de película IMAX. Foram usados cerca de 2,1 milhões de pés de filme, além de uma nova versão da câmera e de uma proteção desenvolvida para diminuir seu famoso barulho durante as cenas com diálogos.

Christopher Nolan não queria usar o formato apenas nas batalhas, nos monstros e nas tempestades. Ele também desejava aproximar a câmera dos rostos e registrar os olhares e as emoções dos personagens.

As filmagens atravessaram seis países

Odisseu em uma locação rochosa durante as filmagens de A Odisseia, de Christopher Nolan

Para acompanhar uma jornada que passa por tantos lugares, a equipe de A Odisseia também precisou viajar bastante.

As filmagens duraram 91 dias e passaram por Marrocos, Grécia, Itália, Islândia, Escócia e Estados Unidos. Christopher Nolan contou que mudar de país a cada poucas semanas ajudava a manter o ritmo de uma verdadeira expedição.

No Marrocos, Aït Benhaddou e a região de Essaouira ajudaram a recriar Troia e as cenas próximas ao famoso Cavalo de Troia.

Na Grécia, a produção passou pelo Peloponeso. A Caverna de Nestor, próxima à praia de Voidokilia, foi usada na assustadora sequência do Ciclope Polifemo.

Na Itália, a ilha de Favignana e o Castello di Santa Caterina ajudaram a formar Ítaca. Outras paisagens das ilhas da Sicília também aparecem durante a viagem de Odisseu.

As praias escuras e as paisagens vulcânicas da Islândia serviram para criar o mundo dos mortos.

Já a costa e as florestas da Escócia aparecem em passagens ligadas à ilha de Circe, aos gigantes e ao reino de Odisseu.

Nos Estados Unidos, foram gravadas cenas em estúdios e no enorme tanque aquático da Universal, inclusive parte do naufrágio de uma réplica da embarcação.

O resultado é que cada nova etapa da jornada realmente parece levar os personagens para outro mundo.

Não era apenas o mesmo estúdio recebendo fundos diferentes. O elenco também precisava mudar de país, enfrentar um novo clima e se adaptar ao terreno de cada locação.

O mar não era apenas um fundo verde

Boa parte das cenas marítimas aconteceu em embarcações reais, enfrentando vento, ondas e água de verdade.

Uma delas foi a Draken Harald Hårfagre, um enorme navio de madeira totalmente funcional. Os atores precisaram aprender a remar, navegar e se movimentar dentro dele.

A embarcação tinha uma tripulação experiente de 26 pessoas. Em vez de esconder esses marinheiros, a produção colocou todos em figurinos e os incorporou às cenas como homens de Odisseu.

Ou seja: quando os personagens parecem cansados, molhados e com frio, provavelmente não era necessário imaginar muita coisa.

O mar estava realmente se movimentando debaixo deles.

Matt Damon chegou a dizer que o trabalho parecia mais uma expedição do que uma filmagem. Nolan contou que, em certos momentos, a equipe gravava quase como se estivesse fazendo um documentário, observando como o barco e o oceano se comportavam.

Até os golfinhos que aparecem nadando ao lado da embarcação estavam realmente ali.

Depois de descobrir tudo isso, entendi por que o mar transmite tanto perigo no filme.

Os navios não apenas parecem pequenos diante das ondas.

Eles realmente estavam.

O Cavalo de Troia foi construído de verdade

Cavalo de Troia construído em tamanho real nos bastidores do filme A Odisseia, de Christopher Nolan

O famoso Cavalo de Troia também não foi simplesmente criado no computador.

A produção construiu uma estrutura física com mais de dez metros de altura, grande o suficiente para acomodar os atores e uma câmera IMAX em seu interior.

Em uma das cenas, o cavalo, que pesava milhares de quilos, precisou ser puxado pela areia por cerca de 250 pessoas.

O espaço dentro da estrutura era apertado, abafado e desconfortável.

Aquela sensação de claustrofobia que vemos no filme não precisou depender apenas da atuação.

Christopher Nolan não colocou os soldados diante de uma tela verde e pediu que imaginassem o interior do Cavalo de Troia. Ele colocou todo mundo dentro de um cavalo gigantesco de verdade.

A imagem do cavalo inclinado e parcialmente enterrado na areia também acompanhava Nolan havia muitos anos.

Antes de dirigir Batman Begins, ele chegou a ser cogitado para comandar Troia, lançado em 2004. O projeto acabou seguindo com Wolfgang Petersen, mas a vontade de filmar aquele universo permaneceu com Nolan.

Mais de duas décadas depois, ele finalmente conseguiu colocar sua visão do Cavalo de Troia na tela.

Os gigantes eram pessoas reais — e Matt Damon teve uma dublê mulher

Odisseu diante dos gigantes Lestrigões em arte inspirada no filme A Odisseia, de Christopher Nolan

Uma das soluções mais criativas aparece na cena dos gigantes Lestrigões.

A produção reuniu dublês com cerca de dois metros de altura e outros com menos de 1,50 metro. Depois, combinou essas diferenças com distância, enquadramento e perspectiva para aumentar ainda mais o contraste.

Em algumas tomadas, quem aparece no lugar de Matt Damon é a dublê Devyn Dalton, que tem aproximadamente 1,35 metro.

Ao colocá-la diante dos profissionais mais altos, Odisseu parecia minúsculo.

Matt Damon ainda brincou que os braços definidos vistos em algumas cenas também eram mérito dela.

Então, tecnicamente, parte daquele físico impressionante pertencia a uma mulher rsrs.

Devyn Dalton, dublê de Matt Damon, nos bastidores das cenas com os gigantes de A Odisseia

Foi daí que surgiu uma das melhores brincadeiras que encontrei nas redes sociais:

Christopher Nolan não colocou Matt Damon diante de gigantes criados no computador. Fez o ator enfrentar monstros de verdade.

É um exagero, claro.

Mas, conhecendo a maneira como Nolan gosta de filmar, nem parece tanto assim.

A transformação de Circe aconteceu diante da câmera

A passagem pela ilha de Circe foi uma das cenas que mais me deram aflição.

Os homens já estavam comendo de uma forma tão descontrolada que pareciam porcos antes mesmo da transformação. Quando Circe começa a mudar seus rostos e corpos, o resultado é tão feio e realista que chegou a me dar enjoo.

Depois descobri que a transformação dos homens em animais foi realizada com efeitos práticos naquela sequência, sem CGI.

Samantha Morton trabalhava diante de próteses, bonecos e mecanismos físicos. Conforme passava as mãos pelos homens, focinhos e orelhas começavam a aparecer.

A atriz havia trabalhado como assistente de mágico quando era mais jovem e acabou usando um pouco dessa experiência para construir os movimentos de Circe.

É aquela antiga magia do cinema: sabemos que existe um truque, mas o corpo reage como se tudo estivesse realmente acontecendo.

Samantha Morton impressionou até a equipe

Samantha Morton como Circe em cena do filme A Odisseia, de Christopher Nolan

Samantha Morton como Circe aparece durante pouco tempo, mas entrega uma das atuações mais marcantes do filme.

Ela consegue ser estranha e assustadora e, ao mesmo tempo, faz a gente perceber a dor daquela mulher isolada em uma ilha e acostumada a receber homens que nem sempre chegam com boas intenções.

Em uma das tomadas, sua atuação foi tão intensa que a equipe começou a aplaudir.

Christopher Nolan disse que não via uma reação parecida em seus bastidores desde uma atuação de Heath Ledger como Coringa em O Cavaleiro das Trevas.

A comparação não significa que Circe e o Coringa sejam personagens parecidos.

O que os dois momentos tiveram em comum foi o impacto provocado pelos atores no próprio set.

E, depois de assistir ao filme, não é difícil entender.

Efeitos práticos não significam ausência total de CGI

Encontrei muitas publicações afirmando que A Odisseia não utilizou nenhum CGI.

Isso não é totalmente correto.

Christopher Nolan explicou que a produção usou todas as ferramentas disponíveis: computação gráfica, animatrônicos, bonecos, próteses e efeitos realizados diante da câmera.

A diferença está na decisão de manter elementos físicos no set sempre que fosse possível.

Os barcos estavam na água. O Cavalo de Troia existia. Os gigantes eram interpretados por pessoas. A transformação de Circe acontecia diante dos atores.

O computador ajudava a completar a magia, mas não precisava inventar tudo do zero.

Essa preocupação também apareceu nas multidões.

Em vez de depender apenas de exércitos criados digitalmente, a produção levou muitos figurantes, dublês e profissionais para as praias e fortalezas.

Tom Holland contou que, ao chegar a uma das locações, sentiu que estava entrando em uma reconstituição histórica, e não simplesmente em um set de filmagem.

Em uma época na qual se fala tanto sobre substituir pessoas por imagens geradas artificialmente, A Odisseia escolheu encher a tela de gente de verdade.

O grito do Ciclope foi mesmo o som mais alto do cinema?

Ciclope Polifemo durante a cena do grito no filme A Odisseia, de Christopher Nolan

Outra afirmação que circulou bastante foi a de que o grito do Ciclope Polifemo seria o som mais alto já usado em um filme.

Procurei alguma medição ou confirmação técnica confiável, mas não encontrei.

Então, não colocaria isso como um recorde oficial.

O que posso afirmar pela experiência na sala é que aquele grito foi alto o suficiente para tornar a cena ainda mais assustadora.

A sequência do Ciclope já parece um filme de terror dentro do épico. Quando o som ocupa a sala inteira, a vontade é se encolher na poltrona e torcer para Odisseu parar de inventar problemas por pelo menos cinco minutos.

Nem a beleza poderia parecer moderna demais

Anne Hathaway como Penélope, com maquiagem e penteado naturais, no filme A Odisseia

Uma coisa que reparei durante o filme foi como os rostos das atrizes estavam naturais.

Não havia aquela maquiagem impecável que faz uma personagem da Antiguidade parecer pronta para um tapete vermelho.

A equipe estudou cerâmicas, pinturas, objetos e referências da Grécia Antiga. A maquiagem foi aplicada em camadas leves, enquanto marcas de sol, sujeira, umidade e envelhecimento ajudavam a mostrar tudo o que os personagens haviam vivido.

Christopher Nolan também preferiu evitar perucas sempre que possível.

Tom Holland manteve os cachos naturais, Matt Damon usou a própria textura do cabelo e vários penteados foram construídos diretamente nos fios dos atores.

Tranças, extensões e apliques foram usados quando necessário, mas sempre buscando um resultado menos artificial.

A equipe de cabelos até ficou aliviada por não precisar controlar tantas perucas em meio a vento forte, chuva, maresia e cenas dentro do mar.

E realmente não parece uma tarefa fácil.

Até chegar ao set já era uma pequena odisseia

Em uma das locações usadas como parte de Ítaca, o acesso ao set exigia uma longa caminhada morro acima.

No Castello di Santa Caterina, quem conseguia andar precisava subir a pé. Alguns equipamentos e profissionais eram levados de helicóptero, enquanto os atores enfrentavam o caminho usando figurinos e sandálias.

Matt Damon disse que cada locação daquele filme teria sido considerada a mais difícil de qualquer outra produção — mas em A Odisseia elas apareciam uma depois da outra.

Ou seja: antes mesmo de enfrentar deuses e monstros diante das câmeras, o elenco já precisava completar uma pequena jornada para chegar ao trabalho.

E nem as famosas botas Ugg foram liberadas entre as tomadas.

Nolan não queria gregos antigos circulando pelo set com botas modernas e confortáveis, porque acreditava que isso poderia quebrar a imersão dos atores e da equipe.

Então, além de enfrentar ondas, montanhas, caminhadas e monstros, o elenco ainda precisou abrir mão do conforto nos pés.

Realismo tem limite, Christopher rsrs.

Depois de A Odisseia, fomos assistir a Troia

Brad Pitt como Aquiles em cena de batalha do filme Troia, de 2004
Brad Pitt como Aquiles Filme Troia (2004)

Depois de assistir a A Odisseia, eu e o João ficamos com vontade de recordar melhor o que havia acontecido antes daquela longa viagem de Odisseu.

Foi então que assistimos novamente a Troia, filme de 2004 estrelado por Brad Pitt, Eric Bana, Orlando Bloom, Diane Kruger e Sean Bean.

A história começa quando Paris, príncipe de Troia, se apaixona por Helena, esposa de Menelau, rei de Esparta, e a leva para sua cidade.

Menelau procura seu irmão Agamenon, que enxerga naquela crise amorosa uma excelente oportunidade para atacar Troia e ampliar o próprio poder.

Aquiles entra na guerra em busca de glória. Heitor tenta proteger sua cidade e sua família. Odisseu aparece como o estrategista do grupo.

Em uma explicação muito resumida e nada acadêmica, a confusão foi mais ou menos assim:

Paris se apaixonou pela mulher errada e transformou um romance proibido em uma crise internacional.

Menelau ficou revoltado e chamou o irmão para resolver a situação.

Agamenon olhou para toda aquela confusão e enxergou uma oportunidade de expandir seus negócios — no caso, o reino.

Aquiles podia viver muitos anos ou morrer jovem e ser lembrado para sempre. Em linguagem de hoje, preferiu arriscar a vida pelo alcance e pelo engajamento eterno.

Odisseu assumiu o planejamento estratégico e apresentou a ideia mais eficiente e perigosa de toda a campanha: um enorme cavalo de madeira.

E assim nasceu o “presente de grego” mais famoso da história.

Troia não é uma reprodução totalmente fiel da mitologia nem da Ilíada, mas ajuda bastante a visualizar o conflito que aconteceu antes da jornada de Odisseu.

E parece que não fomos os únicos a fazer essa ligação.

Com o lançamento de A Odisseia, o filme de Brad Pitt voltou a crescer nos rankings de streaming e ganhou uma nova onda de espectadores mais de vinte anos depois de sua estreia.

A grandiosidade não veio apenas do orçamento

Montagem com Christopher Nolan e Odisseu caracterizado como guerreiro nos bastidores do filme A Odisseia

Depois de conhecer esses bastidores, ficou ainda mais fácil entender por que A Odisseia parece tão grandiosa no cinema.

Não foi apenas por causa das câmeras IMAX, dos efeitos especiais ou do dinheiro investido.

A grandiosidade também veio da decisão de colocar as pessoas dentro daquele mundo.

Os atores enfrentaram o mar. Os figurantes ocuparam as praias. Os navios realmente navegaram. O Cavalo de Troia foi construído. Até algumas das transformações mais grotescas aconteceram diante da câmera.

O computador ajudou a completar a magia, mas não precisou inventar tudo sozinho.

Talvez seja por isso que tanta gente esteja brincando que Christopher Nolan praticamente obrigou Matt Damon e o restante do elenco a enfrentar monstros de verdade.

Depois de tudo o que descobri, a brincadeira já nem parece tão distante da realidade.

Agora me conta: qual dessas curiosidades sobre A Odisseia mais surpreendeu você?

Montagem com câmeras IMAX, Christopher Nolan, guerreiros, gigantes, Cavalo de Troia e navio nos bastidores de A Odisseia

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Retrato de Bruna Souza

escrito por

Bruna Souza

Sou a Bruna, autora do Cantinho de Acolher. Escrevo sobre filmes, séries, receitas, bem-estar, casa, maternidade, música e reflexões da vida real. Um espaço para acolher, inspirar e compartilhar conteúdos leves, afetivos e cheios de significado, conforto e cuidado para o dia a dia.

Respira. Você não precisa dar conta de tudo hoje.

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