Armageddon: por que esse filme ainda me faz rir, chorar e querer rever?
Sessão Nostalgia: filmes que dão saudade • Cantinho de Acolher
Acho que assisti a Armageddon duas ou três vezes no cinema. Depois, vi tantas outras vezes que já nem sei contar. E bastou começar a lembrar das cenas para sentir vontade de assistir de novo.
Lembro das brincadeiras da equipe, do romance, de Bruce Willis tentando lidar com o namorado da filha. Mas também lembro do quanto chorei. E da música, que até hoje consegue me emocionar.
Por isso, escolhi esse filme para abrir a Sessão Nostalgia: filmes que dão saudade aqui no Cantinho. Quero conversar sobre histórias que fizeram parte da minha vida e que merecem ser lembradas, e quem sabe você também termina a leitura com vontade de rever alguma delas?
Uma equipe do petróleo com a missão de salvar o mundo

Armageddon é de 1998, dirigido por Michael Bay. A história começa com uma ameaça: um asteroide está vindo em direção à Terra, e a NASA precisa encontrar uma maneira de impedir a colisão. O plano é pousar nele, perfurar sua superfície e colocar uma bomba nuclear em seu interior.
Para isso, chamam Harry Stamper, personagem de Bruce Willis, um especialista em perfuração de petróleo. Só que ele quer trabalhar com a própria equipe.
E lá vão aqueles homens, acostumados ao trabalho nas plataformas, aprender em poucos dias a serem astronautas e participar de uma missão espacial. Só de pensar nessa missão quase impossível já dá para imaginar a confusão.
O treinamento, as exigências que eles fazem e a dificuldade de se comportarem naquele ambiente rendem momentos muito engraçados. Gosto bastante desse lado do filme. Mesmo com o mundo em perigo, a gente consegue se divertir com aquela turma.
E que elenco! Além de Bruce Willis, Ben Affleck e Liv Tyler, aparecem Billy Bob Thornton, Steve Buscemi, Will Patton, Owen Wilson, Michael Clarke Duncan, William Fichtner e Peter Stormare.
Uma curiosidade bacana: Bruce Willis e Ben Affleck chegaram a experimentar parte do treinamento de astronautas no Centro Espacial Johnson, inclusive no tanque usado para treinar atividades com trajes espaciais. A produção também teve autorização para filmar lançamentos reais de ônibus espaciais.
Uma conversa fofa e profunda que ficou comigo
No meio de toda essa correria, temos Grace, interpretada por Liv Tyler, e A.J., vivido por Ben Affleck. Ela é filha de Harry; ele trabalha com o pai dela. E Harry não recebe esse namoro com muita tranquilidade, não.
O romance dos dois tem uma construção importante na história. Uma das cenas que mais me marcaram é aquela em que eles estão deitados juntos, antes da missão, e ele brinca com biscoitinhos em formato de animais sobre a barriga dela.
Entre uma brincadeira e outra, Grace pergunta se seria possível alguém, em algum lugar do mundo, estar fazendo a mesma coisa que eles naquele exato momento.
A.J. responde, em tradução livre:
“Espero que sim. Senão, o que estamos tentando salvar?”
Essa conversa trouxe uma camada linda e emocional para a trama.
Fiquei pensando no tamanho do mundo e em quantas pessoas poderiam estar vivendo um momento tão doce e romântico ao mesmo tempo, sem saber umas das outras. Um casal deitado junto, rindo de uma bobagem, aproveitando a companhia. Tanta vida acontecendo em lugares que a gente nem conhece.
E, mesmo prestes a partir numa missão tão perigosa, ele lembra do que faz tudo aquilo valer a pena: poder viver mais momentos assim com ela.
Acho lindo como essa conversa cabe no filme. A gente acompanha toda aquela preocupação em salvar a Terra e, por alguns instantes, pensa nas pessoas que estão nela. Nos amores, nos planos, em tudo o que ainda querem viver.

E aquela música do Aerosmith?
Não consigo falar de Armageddon sem lembrar de “I Don’t Want to Miss a Thing”.
A canção é interpretada pelo Aerosmith, com Steven Tyler, pai da Liv Tyler, nos vocais, e foi composta por Diane Warren.
E existe uma história curiosa por trás desse parentesco. Liv cresceu acreditando que seu pai biológico era o músico Todd Rundgren, que participou de sua criação. Ela começou a desconfiar pela semelhança com Steven e, principalmente, ao conhecer Mia, a outra filha dele, num show. As duas eram tão parecidas que Liv questionou a mãe, que confirmou a verdade. Isso aconteceu muito antes de Armageddon.
Anos depois, ela estaria no filme e ele cantaria a música que tanta gente passou a associar àquela história.
É uma música lindíssima. Até hoje eu escuto e me emociono, lembrando do filme e daquele casal.
A letra tem muito a ver com a emoção que o filme entrega: querer ficar perto, aproveitar a presença de quem a gente ama, desejar que o tempo passe um pouco mais devagar. Com uma despedida se aproximando, até ficar ali, sem fazer nada demais, ganha uma importância enorme.
Um filme nostálgico que continua gostoso de assistir

Os efeitos especiais são de 1998, claro. A tecnologia era outra, e algumas cenas mostram isso. Mesmo assim, considero Armageddon um filme muito bem feito. Ele chegou a ser indicado ao Oscar de efeitos visuais, e a música também recebeu uma indicação.
Mas, quando penso em rever, lembro primeiro dos personagens.
Quero acompanhar de novo aquela equipe atrapalhada, o namoro que tira Harry do sério, as brincadeiras durante o treinamento. O filme vai alternando esses momentos com o perigo da missão, e a gente acaba se apegando àqueles homens.
Quando as coisas começam a dar errado, já estamos envolvidos demais.
Ficha técnica de Armageddon
- Ano: 1998
- Direção: Michael Bay
- Gêneros: ação, aventura e ficção científica
- Duração: 2h31min
- Elenco principal: Bruce Willis, Ben Affleck, Liv Tyler e Billy Bob Thornton
Agora vou comentar o final do filme. Se você ainda não assistiu (embora eu ache difícil encontrar quem não tenha assistido rsrs) e prefere guardar a surpresa, fica o aviso de spoilers.
A despedida que me desmontou

Chega o momento em que alguém precisa ficar no asteroide para detonar a bomba. A.J. é quem deveria ficar, mas Harry toma o lugar dele e o faz voltar para a nave.
A relação dos dois sempre foi cheia de tensão, de implicância e de discussões por causa de Grace. Mas, naquela despedida, Harry diz que sempre o considerou um filho e que teria orgulho de vê-lo se casar com ela.
Essa fala me tocou fundo. Por trás daquele jeito difícil, havia um carinho que ele quase não demonstrava. Quando escolhe ficar, Harry dá à filha e ao rapaz que amava como um filho a chance de viverem tudo o que ainda tinham pela frente.
E então vem a despedida entre pai e filha.
Essa parte acabou comigo. Grace está vendo o pai pela tela, ouvindo a voz dele, mas não pode chegar perto. Não pode abraçá-lo nem mudar o que está acontecendo.
Fico pensando no quanto é doloroso ter tão pouco tempo para dizer alguma coisa a alguém que a gente ama. Como se despedir do próprio pai daquele jeito?
Bruce Willis e Liv Tyler passam uma emoção muito forte nessa cena. Chorei sem conseguir parar. Só de lembrar, já entendo por que esse filme ficou tão forte na minha memória.
O reencontro com o filho e o casamento

Também guardei com carinho a história de Chick, interpretado por Will Patton. Ele está afastado do filho e tem uma relação complicada com a ex-mulher. Antes da missão, deixa uma nave de brinquedo na entrada da casa onde o menino mora.
É uma cena breve, mas eu nunca esqueci aquele presente. Chick está prestes a ir para o espaço e tenta deixar alguma coisa para o filho, mesmo que o menino não saiba direito quem ele é.
Quando ele volta e os dois se reencontram, fico feliz por ele. Depois de tudo o que aconteceu, existe uma chance de se aproximarem. Eu gosto de ver esse recomeço dentro da história.
E ainda temos o casamento de Grace e A.J., durante os créditos.
Aquela cena é linda e triste ao mesmo tempo. Dá alegria ver os dois se casando, mas eu queria tanto que o pai dela estivesse ali.
As fotografias de Harry e dos companheiros que morreram na missão aparecem como homenagem. Eles também são lembrados naquele dia.
Ver Grace se casar com A.J. depois daquela despedida é muito emocionante. Ela está vivendo algo que desejava, ao lado de quem ama, sentindo a falta de alguém que deveria estar participando de tudo.
Armageddon me fez rir, torcer pelo casal e chorar muito no final. E a conversa dos dois continua me fazendo pensar: nesse mundo tão grande, quantas pessoas estarão vivendo agora um momento que gostariam de guardar para sempre?
E agora a vontade bateu mais forte ainda de reassistir o filme e ouvir aquela música mais uma vez.
Você também já assistiu? Me conta qual cena ficou com você.
Curiosidades para guardar sobre o filme Armageddon

- Pai e filha no mesmo projeto: Liv Tyler interpreta Grace, e seu pai, Steven Tyler, canta o tema mais conhecido do filme com o Aerosmith.
- Uma descoberta pela semelhança: Liv não cresceu sabendo que Steven era seu pai biológico. A aparência dele e, principalmente, a semelhança com Mia, sua meia-irmã, despertaram suas suspeitas.
- A composição é de Diane Warren: apesar de ter ficado tão associada ao Aerosmith, “I Don’t Want to Miss a Thing” foi escrita por ela.
- Treinamento de verdade: Bruce Willis e Ben Affleck experimentaram parte da preparação de astronautas no Centro Espacial Johnson.
- Lançamentos reais nas filmagens: a NASA permitiu que a produção registrasse lançamentos de ônibus espaciais.
- Reconhecimento no Oscar: o filme recebeu indicações por seus efeitos visuais e pela canção “I Don’t Want to Miss a Thing”.





