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A gente cansou de depender dos outros para empreender: como nasceu a Criandê

Mulher tomando café ao lado de uma impressora 3D, com um fio de filamento que vira uma estrada até o pôr do sol: capa do artigo Como nasceu a Criandê
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Sabe quando você sente que está nadando, nadando, nadando… e continua praticamente no mesmo lugar?

Pois é. Foi assim que a gente se sentiu por muito tempo.

E olha que trabalho nunca faltou por aqui! Segunda a segunda, mensagem fora de hora, domingo que chegava ao fim sem dar tempo de sentir que era domingo.

Só que o cansaço não vinha do trabalho. A gente gosta de criar, de vender, de ver uma ideia virar algo que alguém leva para casa.

O cansaço vinha de outro lugar: de depender dos outros.

Foi daí que nasceu a Criandê, nosso projeto de produtos feitos com impressão 3D. O dia em que as impressoras chegaram eu já contei neste outro texto. Hoje quero contar o que veio antes.

Que tipo de cansaço é esse, afinal?

Eu e o João empreendemos há muitos anos. A Tutti Amore faz parte da nossa história, e a gente aprendeu muita coisa nela.

Mas existe um cansaço que fim de semana nenhum resolve. Ele aparece quando a sua tranquilidade está nas mãos de muita gente ao mesmo tempo.

Dependia do shopping, que nem sempre ajudava. De equipe, e quem já teve sabe que nem sempre é um mar de rosas, rs. Do fornecedor que atrasa, do produto importado que não chega, do preço que muda sem aviso.

Teve até fornecedor que passou a vender direto ao consumidor pelo mesmo valor que a gente pagava para comprar. Como competir com isso?

Também apostamos em outros caminhos, franquia inclusive. A gente fez a nossa parte, investiu, tentou. Nem tudo saiu como imaginávamos, e tudo bem. Faz parte.

Só que o que mais pesava nem era o horário de funcionamento da loja. E sim o fato de ela morar na minha cabeça.

Eu não precisava estar lá para estar presa a ela. Acordava já com aquele receio: será que hoje vai dar tudo certo? Quem vai abrir? Quem vai fechar? Qual problema vai aparecer agora?

Com a situação financeira complicada e um desgaste atrás do outro, não tinha hora de largar. Nem na hora de dormir.

Descanso mental, eu não tinha nenhum.

Dá para mudar de rumo quando se tem filhos?

Esse foi o medo que mais pesou.

O Davi e a Amanda ainda dependem da gente para tudo. Cada decisão grande vem com uma pergunta grudada: “e se não der certo?”

Para ser sincera, nem sei se dá para chamar de escolha. Foi daquelas coisas que a gente precisou fazer.

Encerramos a loja física, e isso significou deixar para trás uma estrutura na qual havíamos investido muito e arcar com as consequências financeiras dessa decisão.

Não vou fingir que foi fácil, nem que está tudo resolvido. Ainda estamos nos reorganizando, revendo prioridades, fazendo conta com muito mais cuidado.

Mas de onde veio a coragem? Com todas as letras: da nossa fé.

A gente só teve coragem de mudar o rumo por completo porque a nossa fé em Deus é maior do que qualquer conta, qualquer medo, qualquer incerteza. A força veio dali. E a vontade de mudar a nossa situação, sabendo que não estávamos sozinhos nisso.

A paz que a gente recuperou no meio da bagunça

Hoje, estamos em paz com a decisão que tomamos.

Curioso: a nossa vida financeira ainda está longe de ser como a gente gostaria, mas emocionalmente eu me sinto muito melhor.

Continuamos tendo preocupações, claro. A diferença é que agora consigo pensar nelas sem aquela sensação de estar sempre no limite.

Voltei a ter espaço na cabeça para criar e planejar.

Não é que todos os problemas tenham desaparecido. É que a gente parou de acordar todos os dias carregando o peso de coisas que nem estavam nas nossas mãos.

E foi com a cabeça mais leve que comecei a enxergar outros caminhos.

E onde entra a impressão 3D nessa história?

Em maio de 2026 eu comecei a escrever o Cantinho de Acolher.

Foi um respiro no meio de tanta mudança: voltar a falar de receita, de filme, de reflexão, daquelas coisinhas que deixam a vida mais gostosa.

Uma coisa, porém, não tinha mudado: a gente continuava gostando de empreender. Não queríamos largar o mundo dos produtos e das vendas online. Queríamos outro jeito de estar nele.

Foi quando apareceu a pergunta que virou a chave:

E se, em vez de depender tanto, a gente pudesse criar?

Confesso que impressão 3D começa com uma pesquisa inocente. Quando você percebe, já está no décimo vídeo de alguém fabricando uma coisa que nem sabia que precisava existir, rs.

Só que a gente pesquisou de verdade antes de investir. Procuramos entender as máquinas, os materiais, o que dava para fazer e também as limitações.

E escolhemos a Bambu Lab (e não, não é publi!). Um dia eu conto, num artigo só sobre isso, como foi essa escolha.

O que mais nos conquistou foi poder trabalhar com vários tipos de produto, sem ficar presos a um único nicho, e participar de perto do que a gente coloca à venda.

O que muda quando a gente passa a criar?

Volta lá naquela lista: shopping, equipe, fornecedor, importação.

Boa parte daquelas preocupações não ocupam mais nossa mente. É claro que a impressão 3D também depende de materiais, equipamentos e fornecedores, mas agora temos muito mais autonomia sobre aquilo que produzimos.

A ideia nasce, vira um modelo, passa pela impressora e, camada por camada, se transforma em um objeto.

A gente escolhe a cor, testa, ajusta, muda de ideia. E, quando dá certo, é muito gostoso ver aquilo tomando forma!

Isso quer dizer que é fácil? Claro que não.

Tem custo, manutenção, aprendizado e peça que dá errado. Também não é apertar um botão e esperar o dinheiro aparecer. Seria ótimo, né? rs

Só que existe uma diferença enorme entre um problema que você pode resolver e outro que depende de alguém resolver por você. Na produção, os nossos são do primeiro tipo.

E o que é a Criandê?

É onde a gente junta tudo isso: decoração, organizadores, utilidades para o dia a dia e itens sensoriais.

Alguns deixam a casa mais bonita, outros facilitam uma tarefinha chata, e tem os que conquistam só porque são criativos e gostosos de ter por perto. Se quiser conhecer um pedacinho, contei sobre os brinquedos sensoriais neste texto.

A Tutti Amore também está se transformando, com mais espaço para casa, organização e bem-estar.

Tem aprendizado que não aparece em currículo nenhum: atender cliente, acompanhar pedido até chegar, entender como funciona cada marketplace. A gente levou tudo isso junto.

Eu e o João continuamos trabalhando muito, cada um também com o seu projeto, mas nadando para o mesmo lado: construir uma nova fase para a nossa família. Dessa vez, de um jeito que também faça bem para nós.

Não estamos começando do zero. Estamos começando de outro jeito, levando junto com a gente tudo o que aprendemos.

O que vem pela frente?

Ainda tem muito para aprender, testar e ajustar? Tem. Mas essa é a parte boa: agora o caminho depende da gente. Do que quisermos criar, do que vale a pena desenvolver, do que precisa melhorar e do ritmo que faz sentido para a nossa família.

E, com Deus à frente e a gente fazendo a nossa parte, estamos caminhando para dar certo.

Aprendi que mudar de rumo não precisa significar abandonar o que a gente gosta de fazer. Às vezes é só trocar o jeito.

Há também uma diferença entre persistir e insistir na mesma estratégia que já mostrou não estar funcionando. Sobre isso eu ainda quero conversar com você em outro texto.

Por enquanto, cada peça que sai da impressora, camada por camada, me lembra que a gente também está construindo a vida assim. Aos poucos, ajustando, aprendendo, recomeçando.

Continuo nadando, viu? Só que agora a direção é a nossa.

E por aí? Você já precisou mudar completamente de direção, sem saber como seria o próximo capítulo? Me conta nos comentários. 🤎

Com carinho,

Bruna
Cantinho de Acolher 🤍


Pôr do sol sobre o mar com um caminho de luz na água, livros empilhados com as palavras sonhar, acolher, recomeçar e florescer e a frase: Continuo nadando, viu? Só que agora a direção é a nossa. Cantinho de Acolher

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Retrato de Bruna Souza

escrito por

Bruna Souza

Sou a Bruna, autora do Cantinho de Acolher. Escrevo sobre filmes, séries, receitas, bem-estar, casa, maternidade, música e reflexões da vida real. Um espaço para acolher, inspirar e compartilhar conteúdos leves, afetivos e cheios de significado, conforto e cuidado para o dia a dia.

Respira. Você não precisa dar conta de tudo hoje.

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