Minha infância nos anos 90: as memórias que eu guardaria numa pasta de papel de carta
Esses dias, coloquei Sandy & Junior para ouvir e me peguei lembrando da minha infância. “Era Uma Vez” é uma das músicas que mais mexem comigo. É aquela música que toca o coração em qualquer idade, mas ouvir agora, aos 40 anos, tem um sabor diferente.
Com o Dia das Crianças chegando, fiquei pensando na menina que eu fui. Nas coisas que gostava de fazer, nos brinquedos, nos desenhos que assistia tantas vezes. E percebi que uma das maiores saudades que tenho é daquele faz de conta em que a gente entrava sem esforço nenhum.
Era muito bom inventar uma brincadeira e ficar ali, deixando a imaginação ocupar boa parte do nosso tempo.
Uma professora com uma turma de pelúcias
Eu amava brincar de boneca, principalmente de Barbie. Mas também gostava muito de ser professora: pegava minhas pelúcias, fazia de conta que eram os alunos e brincava de escolinha.
A turma já estava garantida. E a professora, claro, era eu.
Tinha também a comidinha de mentira e tantas outras brincadeiras em que a imaginação resolvia tudo. A gente inventava um lugar, uma situação, e logo estava fazendo parte daquela história.
Lembro também das brincadeiras de rua: esconde-esconde, pega-pega, polícia e ladrão. Quando penso nessa época, tenho a sensação de que havia tanto tempo para brincar. Era uma parte enorme do dia, e eu gostava demais.
Barbie, bichinhos da Parmalat e duas pastas de coleção
Além das bonecas, eu tinha a coleção dos bichinhos da Parmalat. Quem lembra deles? Eu era apaixonada por aqueles bichinhos!
E havia outras coleções que levava a sério: papel de carta e adesivo. Tinha uma pasta só para os papéis e outra só para os adesivos. Foi uma moda que, como dizem hoje em dia, viralizou entre as meninas da minha época. E a gente cuidava daquelas pastas com muito carinho, tratava como tesouro mesmo. rsrs
Até hoje, quando vejo certos papéis de carta antigos, lembro dos meus. É engraçado como a gente pode passar anos sem pensar em alguma coisa e reconhecer na hora quando vê de novo.
Também amava vestidos de princesa, daqueles bem parecidos com os das princesas da Disney. Quanto mais saia, quanto mais rodado, melhor. Se dependesse do meu gosto, não precisava economizar no tecido!
O desenho tinha hora para começar
A televisão também faz parte dessas lembranças. Eu assistia muito à TV Cultura: Castelo Rá-Tim-Bum e Mundo da Lua estão entre os programas de que gostava. Também lembro de Doug, O Fantástico Mundo de Bob, Um Maluco no Pedaço, Chaves e o super-herói da nossa época, o Chapolin Colorado. rsrs
Só essa parte já renderia outra conversa inteira. Inclusive, já contei um pouco desse carinho pela TV Cultura aqui no Cantinho.
Naquele tempo, acompanhar a programação tinha toda uma organização. O desenho passava em determinado horário, e a gente tinha que se preparar para assistir. Ir ao banheiro no intervalo era quase uma missão: precisava dar tempo de voltar antes de acabar o comercial.
Não dava para simplesmente pausar e continuar depois. Quem viveu isso sabe a pressa que era!
E eu também era daquelas crianças que assistiam ao mesmo filme várias e várias vezes. Amava os desenhos da Disney, especialmente 101 Dálmatas. Se eu gostava, queria ver de novo. Não enjoava, muito pelo contrário: podia assistir mil vezes ao mesmo desenho.
Aliás, a lista de filmes da Disney que eu assistia sem parar é bem grande. Vou deixar essa lista para um outro artigo, porque, se começar a contar tudo aqui, esse texto não acaba mais!

A saudade de ter a cabeça ocupada com brincadeira
Hoje, vendo o espaço que celulares, videogames e tantas telas têm na rotina, sinto falta daquele jeito de brincar. Do faz de conta, das brincadeiras em grupo, de inventar o que fazer com o que estava por perto.
Eu também amava assistir televisão, como deu para perceber. Mas, quando penso na minha infância, lembro de quantas outras coisas preenchiam meus dias.
E sei que parte dessa saudade tem a ver com o meu olhar de criança. Eu não conhecia o mundo como conheço agora, nem carregava as responsabilidades que tenho hoje. Minhas preocupações eram outras. Havia uma inocência naquele jeito de viver que dá saudade.
Era uma alegria chegar em casa e assistir a um desenho. Brincar de professora. Olhar minha coleção de papéis de carta. Vestir uma saia bem rodada.
Na época, tudo isso era apenas o que eu gostava de fazer. Hoje, é tão gostoso recordar e compartilhar essas lembranças.
Neste Dia das Crianças, foi bom parar um pouquinho para lembrar daquela menina. A que amava Barbie, tinha uma turma de pelúcias e podia assistir a tantos desenhos sem enjoar.
Sandy & Junior continuam me emocionando. E, pelo visto, ainda basta uma música para eu começar a lembrar de tudo isso.
Que a nossa criança interior continue encontrando espaço na vida adulta, entre as responsabilidades e os afazeres de hoje. Que a gente ainda se permita brincar, imaginar e ouvir uma música antiga que toca o coração.
É gostoso perceber que crescemos tanto e ainda guardamos esses pedacinhos de quem fomos.
Que as nossas crianças também possam aproveitar essa fase da vida, brincar e explorar o mundo do faz de conta sem que tudo fique tão acelerado. Inclusive, esse assunto me fez escrever um artigo especial aqui no blog sobre infância acelerada, para quem quiser continuar essa conversa.
E você? Do que mais gostava de brincar quando era criança? Me conta uma lembrança da sua época. Vamos seguir juntos nessa sessão de nostalgia.





