Maternidade

Infância acelerada: quando as crianças querem crescer antes da hora

Mãe abraçando os filhos em um momento acolhedor, representando a infância acelerada e a importância de preservar a infância.

Esses dias, uma situação fofa aconteceu dentro do carro e ficou ecoando em mim.

A Amanda pediu uma música. O João, brincando, disse que ia colocar aquele episódio dos Backyardigans, “Los Galácticos”, que ela amava assistir e cantar quando era pequenininha. Aliás, o preferido do João, rsrs.

A resposta que talvez a gente esperasse seria:

“Ah, pai, não! Isso é coisa de criança.”

Mas não foi isso que aconteceu.

Ela embarcou na brincadeira. Ficou empolgada. Sorriu. Lembrou.

E o João, que tinha falado só para brincar, acabou procurando o vídeo do episódio, mais empolgado que ela.

De repente, estávamos ali, dentro do carro, assistindo Backyardigans e amando cada pedacinho.

E quando começou a abertura, não teve jeito: lá estávamos nós cantando juntos: “temos o mundo inteiro no nosso quintal…”

Tenho certeza que muita gente leu esse trecho cantando também, rsrs.

A Amanda foi revisitando memórias da infância, lembrando de partes do desenho que ela já tinha assistido milhares de vezes. E eu fiquei ali, olhando para aquela cena simples, mas cheia de significado.

Inclusive, esse momento me deu até vontade de escrever depois um artigo só sobre os desenhos e programas que as crianças mais amavam quando eram pequenas. Vai ser bem gostoso relembrar esses momentos e registrar aqui pra vocês.

E foi aí que eu comecei a pensar em como o mundo anda acelerado.

As crianças estão crescendo rápido demais?

As coisas têm acontecido depressa demais. As crianças parecem crescer na velocidade da luz. E não falo só do crescimento físico, da roupa que perde rápido, do sapato que deixa de servir ou da altura que muda quase sem a gente perceber.

Falo também do crescimento por dentro.

Parece que, cada vez mais cedo, muitas crianças sentem que precisam abandonar aquilo que é da infância. Como se brincar fosse vergonha. Como se gostar de desenho fosse atraso. Como se rir de bobagem, pedir carinho, receber abraço ou se encantar com coisas simples fosse algo que elas precisassem esconder.

E esse tema da infância acelerada sempre mexeu muito comigo.

Porque crescer é natural. Mas crescer com pressa demais pode fazer a criança deixar pelo caminho partes importantes dela mesma.

O desejo de ser grande sempre existiu

Eu sei que esse desejo de “ser grande” sempre existiu.

Toda criança, em algum momento, imagina que ser adulto deve ser incrível. Afinal, adulto decide as coisas, fica acordado até mais tarde, escolhe o que vai comer, para onde vai, o que pode ou não pode fazer.

Até aí, tudo bem. Faz parte do imaginário infantil.

O problema é quando o mundo começa a empurrar a criança para um lugar que ainda não é dela.

Quando ela sente que precisa falar como adulto, pensar como adulto, consumir conteúdos de adulto, se vestir como adulto e se comportar como adulto. Mas sem ter maturidade emocional para carregar tudo isso.

Crescer faz parte. Mas pular etapas pode custar caro por dentro.

É aí que a infância começa a ser engolida.

E é nesse ponto que a adultização infantil começa a aparecer de forma silenciosa: quando a criança começa a sentir que precisa parecer mais velha do que realmente é.

E uma criança que aprende cedo demais a ter vergonha de ser criança pode crescer carregando uma frustração profunda. Porque ela pulou etapas que ainda precisava viver.

Preservar a infância não é impedir o crescimento

Como mãe, uma das coisas que eu sempre tentei preservar ao máximo foi a infância dos meus filhos.

O Davi está com 12 anos e a Amanda com 11.

Sim, eles já estão em uma fase de mais autonomia. Ajudam em casa, arrumam a cama, lavam uma louça, descem o lixo, colaboram com uma coisa aqui e outra ali.

Isso faz parte do crescimento normal e saudável. Faz parte de prepará-los para o futuro, porque a gente sabe que a vida adulta chega carregada de responsabilidades.

Mas preservar a infância não significa impedir que eles cresçam.

Significa não apressar o que não precisa ser apressado.

Significa entender que tudo bem eles ainda gostarem de brincar. Tudo bem assistirem desenho. Tudo bem rirem de coisas bobas. Tudo bem quererem abraço. Tudo bem terem responsabilidades, mas também terem espaço para continuar sendo crianças.

Porque uma coisa não anula a outra.

Responsabilidade também faz parte da infância

Criança pode aprender a guardar suas coisas, ajudar em casa, respeitar limites e ter pequenas responsabilidades.

Mas ela não precisa carregar preocupações que ainda não são dela.

Não precisa ter vergonha da própria leveza.

Não precisa abandonar cedo demais aquilo que faz parte desse tempo tão precioso.

A infância não precisa ser uma corrida.

E, sinceramente, eu acho uma delícia quando eles ainda se permitem viver esses momentos.

Eu amo levar meus filhos ao cinema para assistir a um desenho. É quase a desculpa perfeita para fazer algo que eu também continuo amando.

Porque quando nós, adultos, conseguimos manter viva a criança dentro da gente, a vida fica mais leve. O coração respira melhor.

Cada fase tem o seu tempo

Eles não precisam ter pressa para pensar como adultos.

Não precisam deixar de gostar do que gostam só porque estão crescendo.

Não precisam abandonar a pureza, a imaginação e a leveza antes da hora.

Eles precisam viver o processo no tempo certo.

Crescer faz parte. Amadurecer é necessário. Ter responsabilidades também.

Mas tudo isso pode acontecer sem roubar o encanto da infância.

Porque a infância é uma das fases de que mais sentimos falta quando crescemos. E uma das nossas missões como pais é justamente ajudar nossos filhos a perceberem a preciosidade desse tempo.

Que eles cresçam fortes, inteligentes, responsáveis, com autonomia e preparo para a vida.

Mas que também saibam, enquanto ainda podem:

Que delícia é ser criança.

Você também sente que as crianças estão crescendo rápido demais? Me conta nos comentários. Vou amar essa troca de experiências com você.

Menina assistindo desenho no tablet dentro do carro, representando memórias da infância e a importância de deixar as crianças serem crianças.

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Respira. Você não precisa dar conta de tudo hoje.

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