Maternidade Fé e Reflexões

Nenhuma IA do mundo supera uma mulher tentando dar conta de tudo

Mulher multitarefas tentando dar conta de tudo entre trabalho, casa, filhos, agenda, contas e rotina diária.

Tem dias em que eu tenho certeza de que a cabeça de uma mulher funciona como uma central de comando. Só que sem botão de pausa.

Se existisse um painel de controle dentro da cabeça de uma mulher, ele teria mais abas abertas do que qualquer computador conseguiria suportar.

Não é exagero. O que uma mulher consegue fazer para dar conta de tantas tarefas, responsabilidades e afazeres no mesmo dia é realmente surpreendente. E, ainda assim, muitas vezes a gente termina o dia com a sensação maluca de que poderia ter feito mais.

Como assim?

Depois de trabalhar, cuidar da casa, pensar nas crianças, organizar compromissos, resolver problemas, lavar uma louça aqui, colocar uma roupa para bater ali, responder mensagem, lembrar de alguma coisa importante e ainda tentar manter a cabeça no lugar, a gente ainda se cobra demais.

A verdade é que não existe máquina no mundo que consiga fazer tantas coisas como uma mulher tentando dar conta da rotina. E olha que hoje em dia eu mesma uso inteligência artificial para o trabalho. Ajuda demais. Facilita muita coisa. Mas nem mesmo uma IA faz tudo sozinha. Ela precisa de comando, direção, contexto e orientação.

Esses dias, inclusive, eu consegui enlouquecer até o ChatGPT com o meu ritmo. Subiu um aviso dizendo que ele não estava conseguindo seguir todas as solicitações e pediu uma pausa para continuar.

Eu ri, claro. E pensei:

Nem a IA conseguiu acompanhar a força-tarefa de uma mulher.

Quando a rotina nunca parece terminar

Já faz praticamente dois anos que eu não tenho nenhum tipo de ajuda com os afazeres domésticos. Diarista, ajudante, nada. Primeiro, por uma questão financeira mesmo. Depois, porque mesmo sendo cansativo conciliar tudo, eu prefiro tocar as coisas da casa do meu jeito.

Essa é uma visão minha, tá? E tudo bem quem tem ajuda. Inclusive, eu mesma já pensei em recorrer várias vezes, principalmente nos dias em que achei que iria surtar. Mas sigo por aqui, tentando equilibrar tudo como consigo.

Quase sem me exigir perfeição… quase.

Hoje eu tento ir pelas prioridades. O que é mais urgente vem primeiro. O que não deu, fica para depois. E o que não ficou perfeito, paciência. Porque, sinceramente, se a gente for esperar a casa ficar cem por cento pronta para descansar, a gente nunca relaxa.

Os afazeres domésticos nunca acabam. Sempre tem uma louça esperando, uma roupa para lavar, outra para guardar, uma toalha para trocar, uma comida para preparar, uma bagunça nova surgindo. E quando parece que tudo está minimamente encaminhado, aparece mais uma demanda que claramente precisa ser resolvida por uma mãe.

E além da casa, eu trabalho. E trabalho bastante.

Como temos e-commerce, não existe muito isso de horário certo para começar e terminar. Não existe dia útil, fim de semana, feriado; são mensagens fora de hora, pedido, cliente, problema, produto, entrega, sistema, postagem, cadastro, estoque, conteúdo, financeiro. Eu costumo brincar que trabalho na escala 7×0.

E no meio disso tudo, fico pensando: quantas mulheres cabem dentro de uma só?

Somos mulheres, mães, esposas, empresárias, funcionárias, psicólogas, cozinheiras, donas de casa, organizadoras da rotina, cuidadoras, planejadoras e solucionadoras de problemas. Somos multifunções.

As caixinhas que nunca ficam vazias

Ser multitarefas, para mim, é sim um superpoder. Não no sentido de romantizar o cansaço, mas porque existe algo muito impressionante na forma como nós, mulheres, conseguimos manter tantas caixinhas abertas ao mesmo tempo.

Enquanto muitos homens conseguem se concentrar em uma tarefa por vez, a nossa mente parece funcionar com várias abas abertas: trabalho, casa, filhos, comida, roupa, agenda, estudos, cachorro, contas, compromissos, preocupações e ainda aquela lista invisível de coisas que ninguém vê, mas que a gente sabe que precisa resolver.

E o mais curioso é que, no meio de tudo isso, a gente ainda lembra onde está a blusa que ninguém acha, o documento que “sumiu”, o remédio que precisa comprar, o presente do aniversário de alguém e aquela coisa que a gente falou três semanas atrás e ninguém prestou atenção.

É como aquela história da “caixinha do nada”.

Dizem que os homens conseguem entrar nesse lugar mental onde simplesmente não pensam em nada. Eu acho fascinante. Queria conhecer. Talvez visitar por cinco minutos.

Mas aqui dentro da minha cabeça isso quase nunca acontece. Se existe uma caixinha do nada por aqui, ela deve estar soterrada embaixo da caixinha da roupa para dobrar, da caixinha do boleto, da caixinha da janta, da caixinha do “preciso responder isso depois” e daquela caixinha misteriosa que só aparece para alertar: “você está lembrando de todas as caixinhas?”.

Nós mulheres não temos uma caixinha do nada. Temos muitas caixinhas funcionando ao mesmo tempo. E, geralmente, nenhuma delas está vazia.

Algumas estão piscando. Outras estão apitando. Algumas já estão em modo emergência. E tem sempre uma caixinha misteriosa no canto dizendo: “você está esquecendo alguma coisa”.

Gratidão não anula cansaço

Muitas vezes eu não consigo dar conta de tudo. Antes, isso me pesava muito. Eu me cobrava demais. Achava que precisava ser mais produtiva, mais organizada, mais presente, mais paciente, mais tudo.

Hoje tento pensar de forma mais leve. Se estou cansada, é porque existe uma família para cuidar, uma casa para morar e limpar, filhos para acompanhar, um cachorro para brincar, um trabalho para fazer. Existe uma vida acontecendo.

Mas também aprendi que gratidão não anula cansaço. A gente pode agradecer pela vida que tem e, ao mesmo tempo, reconhecer que está cansada. E isso faz parte.

Minha rotina é intensa. Muitas vezes trabalho até tarde para dar conta de tudo. Tento otimizar meu tempo ao máximo, equilibrando todos os pratos que aparecem no dia a dia: trabalhar, cuidar dos filhos, cuidar da casa, ajudar nos estudos, organizar compromissos, acompanhar tarefas, resolver demandas urgentes e ainda pensar no que precisa ser feito amanhã.

Tenho que ser justa aqui também: meu marido me ajuda muito.
Na verdade, preciso corrigir essa frase. Não é “ajuda”. Somos um time.

Ele cozinha quando precisa, cuida das crianças, lava louça, participa da rotina e está presente. Eu trabalho, ele trabalha, os filhos são nossos, a casa é nossa e a vida é nossa. Então existe uma parceria.

Mas também não dá para fingir que, na maioria dos casos, o peso mental da responsabilidade ainda cai mais sobre a mulher. A mãe costuma lembrar da consulta, do material da escola, da roupa que precisa lavar, da comida que está acabando, da agenda da semana, da tarefa, do aniversário, da lancheira, do remédio, da meia perdida e de mais mil coisas que parecem pequenas, mas ocupam espaço dentro da cabeça.

Parece que nós mulheres fomos programadas para ter mil braços.

Aqui em casa somos eu, meu marido, nossos filhos Davi e Amanda, e nosso cachorro Steve. E hoje, no meio dessa rotina corrida, esse texto apareceu na minha cabeça.

Porque eu parei por alguns minutos e reparei em tudo o que já tinha feito antes mesmo do dia acabar. Trabalho, louça, roupa para lavar, roupa para guardar, comida, toalhas, cachorro, crianças, mensagens, pendências, organização da casa.

E pensei: a gente faz muito. Muito mesmo.

O problema é que nem sempre a gente enxerga. Muitas mulheres passam o dia inteiro sustentando uma rotina invisível. Fazem tanto, resolvem tanto, cuidam de tanto, e ainda terminam o dia achando que fizeram pouco.

Mas não fizeram pouco. Nós fazemos muito mais do que pensamos.

Até superpoder precisa de pausa

E por isso também precisamos falar de descanso. Por mais que a correria seja intensa, a gente precisa encontrar algum tempo para nós. Precisamos do nosso momento. Um filme, uma série, um banho mais demorado, um livro, uma conversa tranquila, uma oração, um café em silêncio, um momento real em família, alguns minutos para respirar.

Cuidar da mente também é tarefa importante.

Porque ser multitarefas pode até ser um superpoder, mas até superpoder precisa de pausa. Não dá para salvar o mundo, dobrar roupa, responder cliente, lembrar da reunião, cuidar da janta e ainda fingir que está tudo leve o tempo inteiro.

Às vezes, força também é parar. É pedir ajuda. É deixar para amanhã. É aceitar que a casa não precisa estar perfeita. É entender que descanso não é preguiça. É olhar para tudo o que foi feito e dizer: hoje eu dei conta do que consegui.

Precisamos começar a enxergar a própria rotina com mais carinho. Em vez de olhar só para o que faltou, olhar também para tudo o que já foi feito, cuidado, sustentado e resolvido ao longo do dia.

Então, parabéns a nós, mulheres. Às que trabalham fora, às que trabalham em casa, às que empreendem, às que cuidam dos filhos, às que cuidam de todo mundo e às vezes esquecem de si. Às que fazem mil coisas ao mesmo tempo. Às que cansam, respiram fundo e continuam.

Nenhuma IA do mundo supera uma mulher tentando dar conta de tudo.

E que possamos valorizar mais tudo o que somos e fazemos!

E por aí, você também sente que vive equilibrando várias caixinhas abertas ao mesmo tempo?

Mulher multitarefas descansando no sofá depois de cuidar da casa, trabalho e filhos, com mensagem de autocuidado e pausa na rotina.

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Respira. Você não precisa dar conta de tudo hoje.

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