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O Fim da Rua vale a pena? Nostalgia, dinossauros e uma família tentando sobreviver

Denise e Greg correndo por um bairro enquanto um dinossauro aparece ao fundo, em arte do filme O Fim da Rua.

Desde que vi o trailer de O Fim da Rua, fiquei bastante curiosa para assistir.

Eu gosto de ficção científica, gosto de filmes com dinossauros e a premissa já parecia diferente do que estamos acostumados a ver. Então não precisou de muito para me convencer rsrs.

Assistimos em família, as crianças também estavam animadas e foi uma daquelas experiências gostosas de cinema. Eu ri, tomei alguns sustos, me emocionei e ainda fui pega de surpresa em momentos que realmente não esperava.

E uma das melhores partes era olhar para o lado em algumas cenas e ver as crianças com os olhos arregalados, quase de boca aberta, completamente envolvidas com o filme.

O Fim da Rua, sem spoilers

A história começa em 1982 e acompanha a família Platt.

Denise, interpretada por Anne Hathaway, e Greg, vivido por Ewan McGregor, já enfrentam uma crise no casamento quando algo completamente fora do comum acontece: um misterioso evento transporta o bairro onde vivem para um mundo pré-histórico cheio de dinossauros.

De uma hora para outra, tudo muda. Eles precisam encontrar os filhos, sobreviver naquele lugar e descobrir se existe alguma forma de voltar para casa.

A premissa foi uma das coisas que mais me chamou a atenção.

Em Jurassic Park, por exemplo, são os seres humanos que trazem os dinossauros para o nosso tempo. Aqui acontece o contrário: são as pessoas, suas casas, seus carros e toda aquela vida tranquila de bairro que acabam indo parar no mundo deles.

Achei essa inversão muito divertida e ela rende uma mistura boa de aventura, tensão, humor e sustos.

E todo o clima dos anos 80 deixa o filme ainda mais gostoso de assistir. Casas de subúrbio, crianças andando pelo bairro, telefone público, carros da época e, no meio de tudo isso, dinossauros enormes aparecendo onde definitivamente não deveriam estar.

Tem uma nostalgia muito gostosa, mas sem aquela sensação de que o filme está o tempo inteiro tentando esfregar na nossa cara: “Olha, estamos nos anos 80!”.

Bairro de O Fim da Rua transportado para um mundo pré-histórico cheio de dinossauros.
Imagem: Divulgação/Warner Bros. Pictures.

Dá para assistir com crianças?

Nós assistimos com os nossos filhos e eles gostaram bastante.

Mas, claro, é um filme de dinossauro. O próprio trailer já deixa claro que existem ataques, mortes e pessoas sendo devoradas. Não dá para colocar um bairro inteiro no meio de criaturas pré-históricas e imaginar que todo mundo vai sair ileso, né? Rsrs.

A classificação indicativa é de 14 anos, então acho que vale considerar principalmente a sensibilidade de cada criança.

Aqui em casa foi tranquilo e eles se divertiram muito.

Agora, a minha maior preocupação antes de assistir era outra.

O cachorro.

Quem me conhece sabe que filme em que acontece alguma coisa com cachorro acaba comigo.

Pode ter dinossauro correndo atrás de gente, caos, destruição, o que for. Apareceu um cachorro no meio do perigo, eu já começo a ficar aflita rsrs.

E Starbuck é uma graça. Ele rouba várias cenas.

Starbuck, o cachorro da família, em cena do filme O Fim da Rua.
Imagem: Divulgação/Warner Bros. Pictures.

Uma curiosidade bem legal é que ele foi interpretado por dois cães, Buzz e Brisket, que se dividiram nas filmagens. Um ficava mais com as cenas tranquilas e emotivas, enquanto o outro fazia boa parte das sequências que exigiam mais ação.

Ou seja, até Starbuck tinha praticamente o seu dublê rsrs.

E para quem sofre como eu quando aparece um cachorro em filme desse tipo, vou dizer só uma coisa:

pode respirar.

Mais do que isso já seria spoiler.

Anne Hathaway brilha

Denise e Greg em cena do filme O Fim da Rua.
Imagem: Divulgação/Warner Bros. Pictures.

Anne Hathaway está maravilhosa como Denise.

Ewan McGregor também entrega uma ótima atuação como Greg, mas, para mim, Anne é quem mais se destaca.

Denise não é apenas uma mãe tentando salvar os filhos enquanto foge de dinossauros. Antes mesmo de tudo acontecer, ela já estava frustrada, questionando o casamento e a própria vida.

E os problemas entre ela e Greg não desaparecem magicamente só porque o mundo virou de cabeça para baixo. Eles continuam ali, mas passam a ser vistos de outra forma quando existe a possibilidade real de perder quem está ao seu lado.

Também gostei bastante dos filhos, Audrey, interpretada por Maisy Stella, e Brian, vivido por Christian Convery.

Eles não estão ali só para serem as crianças que precisam ser resgatadas. Os dois realmente participam da história, tomam decisões e têm importância no que acontece.

E acabamos nos envolvendo com a família toda e torcendo para que todos se salvem.

E claro, precisamos falar dos dinossauros

Dinossauro com penas em cena do filme O Fim da Rua no meio do bairro.
Imagem: Divulgação/Warner Bros. Pictures.

Os efeitos especiais são muito bons.

Os dinossauros têm presença, parecem realmente perigosos e algumas criaturas são bem assustadoras.

Um detalhe que pode chamar atenção são as penas em alguns deles. Quem cresceu vendo aquele visual mais clássico dos dinossauros no cinema talvez estranhe um pouco, mas hoje já sabemos que várias espécies tinham penas e que as aves descendem dos dinossauros.

Então sim…

Talvez você nunca mais olhe para uma galinha exatamente do mesmo jeito rsrs.

E, sinceramente, acho que as penas deixaram alguns deles ainda mais assustadores.

Foi justamente nessas cenas que senti falta de ter assistido em uma daquelas salas gigantes, com uma tela enorme e um som potente daqueles que fazem a poltrona quase tremer.

Pelo menos nas sessões que procurei, encontrei poucas opções e nenhuma nesse formato. Achei uma pena, porque O Fim da Rua combina muito com esse tipo de experiência.

Talvez o filme esteja ficando um pouco escondido no meio de outros grandes lançamentos, porque eu realmente acho que merecia um pouco mais de atenção.

Fui ao cinema esperando uma boa aventura com dinossauros e encontrei isso. Mas acabei encontrando também uma história sobre uma família que já estava se perdendo antes mesmo de o bairro desaparecer.

E acho que foi aí que o filme me ganhou.

Então, respondendo à pergunta do título: para mim, valeu a pena sim. Principalmente no cinema e ainda mais para quem gosta de ficção científica, dinossauros e aquelas aventuras com um gostinho nostálgico.

Até aqui, consegui falar sem entregar os acontecimentos principais.

Agora acabou a parte segura.

Se você ainda não assistiu e não quer spoilers, volte para essa parte depois.

Porque agora precisamos conversar sobre aquele final.

O Fim da Rua, com spoilers

Família reunida dentro do carro em uma cena de O Fim da Rua.
Imagem: Divulgação/Warner Bros. Pictures.

Confesso que comecei o filme quase certa de que nenhum integrante da família morreria.

Como eu já sabia que nada aconteceria com Starbuck, fui criando aquela sensação de que Denise, Greg, Audrey e Brian passariam por tudo e chegariam juntos ao final.

Sabe aquela proteção invisível que normalmente acompanha a família principal?

Eu estava contando com ela.

Só que, mais para o final do filme, me surpreendi.

Durante a busca por uma forma de voltar para casa, eles começam a prestar atenção naquelas misteriosas bolas de luz que aparecem e desaparecem em diferentes lugares.

São grandes esferas luminosas e, aos poucos, eles percebem que funcionam como uma espécie de portal, uma passagem capaz de levá-los de volta.

Denise e Greg conseguem encontrar os filhos e agora precisam chegar a um desses portais antes que seja tarde.

Audrey e Brian, nesse momento, já estão acompanhados por Jeannette, uma menina que acaba seguindo com eles naquela luta pela sobrevivência.

E aí veio a cena que eu realmente não esperava.

Denise quase é atacada por um dinossauro e Greg consegue salvá-la.

Por alguns segundos, parece que passou.

Até que a criatura segura Greg pela perna.

E…

nhac.

Ele é devorado.

Eu fiquei chocada.

Realmente não imaginava que o filme teria coragem de matar Greg daquele jeito.

Depois disso, para mim, qualquer coisa podia acontecer.

Uma segunda chance

Denise, Audrey, Brian, Jeannette e Starbuck conseguem atravessar o portal.

Mas eles não voltam simplesmente para casa depois de tudo o que viveram.

Eles reaparecem em 1982, pouco antes de o bairro ser transportado para aquele mundo pré-histórico.

E a primeira pessoa que Denise tenta salvar é Greg.

Ela se lembra de que naquela noite ele estava trabalhando como entregador de pizza e percebe que existe um jeito de tirá-lo dali antes que tudo aconteça.

Então ela faz um pedido de pizza.

Simples assim.

O pedido leva Greg para longe da área que seria transportada pouco depois.

Depois de dinossauros gigantes, correria, mortes e portais misteriosos, é uma pizza que acaba salvando Greg rsrs.

Eu gostei muito dessa solução.

Denise aproveita para ligar para outras pessoas do bairro e tentar avisá-las.

Jeannette corre para fazer o mesmo e tentar salvar a própria família.

O bairro desaparece de qualquer forma e parte daquele mundo pré-histórico acaba vindo parar em 1982, inclusive alguns dinossauros, que depois precisam ser abatidos pelas autoridades.

É um final meio maluco? É rsrs.

Mas eu gostei bastante, principalmente por causa de um detalhe.

Greg está vivo, mas não viveu nada daquilo

Denise consegue o marido de volta.

Só que aquele Greg não passou por tudo o que nós vimos.

Ele não enfrentou os dinossauros ao lado dela, não precisou procurar os filhos, não viveu aquele medo de perder a família e nem sabe que, em outra versão dos acontecimentos, morreu salvando Denise.

Para ele, nada disso aconteceu.

Para Denise e os filhos, aconteceu tudo.

E é aí que esse final fica ainda mais curioso: Greg voltou, mas Denise e os filhos lembram de tudo.

Ela agora sabe até onde ele foi capaz de ir por ela e pelas crianças.

Greg não viveu aquela transformação.

Denise viveu.

E gosto de imaginar que isso muda completamente a forma como ela passa a enxergá-lo e também a olhar para o próprio casamento.

Denise finalmente tem uma história para contar

Depois de tudo, Denise transforma aquela experiência em um livro.

O nome?

O Fim da Rua.

Gostei muito desse fechamento.

No começo do filme, ela já escrevia, mas estava cheia de dúvidas, frustrações e questionamentos sobre a vida que levava.

Depois de quase perder tudo, seria impossível voltar olhando para aquela mesma vida da mesma maneira.

O Fim da Rua conseguiu me cativar mais do que eu imaginava.

Eu fui ao cinema querendo assistir a dinossauros.

Mas, por trás dos portais, dos sustos, das perseguições e de toda aquela loucura, encontrei também uma história sobre o tempo que a gente perde com coisas que não mereciam tanto espaço.

Denise e Greg tinham problemas reais. Existiam mágoas, frustrações e questões que precisavam ser resolvidas. E não acho que o filme esteja dizendo que devemos fingir que os problemas não existem ou permanecer em qualquer situação apenas porque existe uma família.

Para mim, ele lembra uma coisa muito mais simples: às vezes a gente deixa o cotidiano ocupar tanto espaço que esquece de valorizar quem está do nosso lado.

Depois de tudo o que Denise viveu, algumas coisas simplesmente ganharam outro tamanho.

Nenhuma família é perfeita e nenhum casamento é perfeito. Mas a mensagem que ficou para mim é que precisamos aprender a aproveitar mais as pessoas que amamos, porque elas são justamente o nosso lugar no mundo.

Fui ao cinema pelos dinossauros e saí pensando na família.

E claro que Starbuck merecia um cantinho só dele 🐾

Depois de assistir, fui pesquisar mais sobre ele e descobri curiosidades tão legais sobre Buzz e Brisket, os cachorros que interpretam Starbuck, que eles acabaram ganhando um artigo só deles por aqui.

→ Vem conhecer os cachorros por trás de Starbuck em O Fim da Rua.

Ficha técnica de O Fim da Rua

Título: O Fim da Rua
Título original: The End of Oak Street
Ano: 2026
Direção e roteiro: David Robert Mitchell
Elenco principal: Anne Hathaway, Ewan McGregor, Maisy Stella, Christian Convery e Jordan Alexa Davis
Gênero: aventura, ficção científica e suspense
Duração: aproximadamente 1h40
Classificação indicativa: 14 anos
Distribuição: Warner Bros. Pictures

Família reunida após sobreviver aos acontecimentos de O Fim da Rua, em uma cena emocionante com clima de reencontro.

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Retrato de Bruna Souza

escrito por

Bruna Souza

Sou a Bruna, autora do Cantinho de Acolher. Escrevo sobre filmes, séries, receitas, bem-estar, casa, maternidade, música e reflexões da vida real. Um espaço para acolher, inspirar e compartilhar conteúdos leves, afetivos e cheios de significado, conforto e cuidado para o dia a dia.

Respira. Você não precisa dar conta de tudo hoje.

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